domingo, 20 de novembro de 2011

ENTRE DOIS AMORES



  Elizabeth sabia que aquela conversa não seria nada fácil, apesar de não ter firmado nenhum compromisso com Eduardo, ela nunca havia descartado a possibilidade que um dia aceitaria o pedido de casamento do medico por isso ele nunca perdeu a esperança e principalmente com o apoio de Sr. Albino que fazia questão de falar que daria uma grande festa do dia do casamento da filha com Eduardo e que seria o dia mais feliz da sua vida, e Elizabeth já estava quase se conformando com essa situação.  Apesar de não amar Eduardo, nutria por ele uma admiração pelo profissional dedicado, era muito responsável e no hospital era considerado um dos melhores pediatras. Nice amiga de Elizabeth tinha a maior consideração pelo medico, o fato de ter cuidado do filho dela quando chegou desesperada no hospital com o menino gravemente doente, com uma bactéria perigosa, Eduardo praticamente salvou a criança e até hoje o Rafael o chama de tio.
Eduardo e Elizabeth tomaram o café em silencio, os dois envolvidos em seus pensamentos, uma ruga na testa demonstrava a preocupação de Eduardo que já imaginava a decisão de Betinha, Nice já havia comentado com Eduardo o interesse dela por outro rapaz. Na cabeça de Elizabeth tinha duas preocupações: a reação do pai, quando ficasse sabendo do sentimento dela por um rapaz sem profissão definida , e o receio de perder a amizade do seu amigo e colega, que auxiliava quando ela precisava em relação a vida profissional.  Determinada levantou-se queria terminar logo com aquela situação:
- Vamos conversar no jardim. - Já iam se dirigido para sala quando alguém tocou a campainha e Mariana foi para o portão, voltando em seguida dizendo: 
-Betinha, tem um senhor querendo falar com você. -
- Ele disse o nome? - Perguntou Elizabeth curiosa.
- Sr. João, e disse que é amigo de Egí...  Ah! Não me lembro o nome. - Mas Elizabeth entendeu e ficou pálida, saiu rapidamente para o jardim em direção ao portão.
- Senhorita, espero não está te incomodando, lembra de mim? - Perguntou o homem meio sem graça.
-Claro, o sócio do pai de Marly.  - ela não quis mencionar o nome de Egídio, porque Mariana estava com as antenas ligadas, e o que menos queria era dá satisfação a ela.  Eduardo se aproximou querendo entender, e não teve outro jeito se não apresentar o rapaz:
- Este é o Dr. Eduardo, meu pai não passou bem e ele veio medicá-lo, quer entrar, por favor?
- Não, eu só quero uma informação, o endereço da senhorita Nice, se for possível. -
- Claro, anote, por favor. - com o endereço nas mãos Sr. João agradeceu e se despediu.
-Você não devia dá o endereço de Nice a qualquer um. - falou Eduardo preocupado com a amiga.
- Não se preocupe, é um senhor conhecido meu. - Respondeu Elizabeth querendo encerrar o assunto.  Mas Eduardo não estava convencido e insistiu:


- De onde conhece esse senhor?-Ah! Já era demais, e ela respondeu com raiva.
- Chega de interrogatório e vamos para que interesse. - Assim que sentaram Elizabeth iniciou:
- Olha Eduardo, eu não planejei nada na minha vida, sempre deixei meu pai tomar todas as decisões que ele queria, mas agora é deferente, eu quero mudar a situação,  a partir de hoje vou tomar minhas próprias decisões. -
- E que decisão são essas , posso saber? - O medico ficou de pé com o coração batendo forte.
- Eu gosto muito de você e não quero te enganar, eu estou namorando um rapaz. -
- Não acredito! Isso é uma brincadeira? - Eduardo não conseguia encarar a jovem, com os olhos fixo em um passarinho que cantava alegre em cima de uma arvore, sem imaginar a cena que se passava naquele jardim.
Eduardo não queria que Elizabeth sentisse pena dele, e para conter o grito que estava preso na garganta, tirou um lenço do bolso, enxugou o rosto e perguntou com firmeza:        
- E seu pai já esta sabendo disso?   
- Não, vou conversar com ele, quando melhorar. - A jovem tinha consciência que estava destruindo um sonho de dois homens: Eduardo e o pai.
- Seja feliz! -Apressadamente saiu pelo portão sem olhar para trás.   


  
  

terça-feira, 8 de novembro de 2011

" UM VULCÃO EM ERUPÇÃO! "


O domingo amanheceu nublado, apesar da noite chuvosa , o sol colocava toda sua força para dar o ar de sua graça. O sol queria oferecer  um fim de semana especial   para as pessoas   que precisam acordar cedo para enfrentar a luta diária , algumas pessoas preferiam dormir até mais tarde e outras sair para fazer uma higiene mental e renovar as forças para um novo recomeço.
E existem aquelas que não conseguiram dormir por variados motivos, era o caso de Elizabeth que abraçada ao travesseiro chorou quase toda a noite imaginando como seria duro fazer uma escolha entre o pai , que tinha planos para ela que até então não a incomodava, e entre Egidio que era o grande amor da sua vida . Seu Albino era um homem muito duro, ainda menino  teve que fugir do seu país (Espanha) por causa da guerra, e chegou ao Brasil escondido em um navio de carga, passou muita fome, enfrentou muita luta para chegar em  uma posição financeira estável, e não admitia ser contrariado, principalmente pela unica filha que  planejava uma vida diferente da que tivera.
A vida prega peças e Elizabeth se apaixonou por um jovem pobre, praticamente sem estudo, um mecânico que para Sr.Albino não era o partido ideal  para sua filha . Ah! mas o coração, ele só sabe contrariar, faz tudo ao contrario da razão, parece  ter prazer do sofrimento e se alimenta das lagrimas que sai da alma, e dói demais.
O amor desperta sentimentos guardados  a muito tempo, como um vulcão adormecido que de repente derrama sua larvas quentes. Não só com Elizabeth que estava acontecendo esse fenômeno sentimental,    era  também com Sr.João o chefe de Egídio, que levantou cedo, para ir a casa dos jovens,  queria saber tudo sobre Nice a amiga de Elizabeth que conheceu na festa de aniversario de Marly, e fez com que ele ressuscitasse para o amor.
- Sr.João, aconteceu alguma coisa ? -   Perguntou Egídio assustado ao abrir a porta.
- Muitas coisas, meu jovem, mas nada de ruim, não se preocupe. - O homem respondeu sorrindo, o que deixou o amigo tranquilo. Na mesa  os pães e café quetinho deixava um aroma agradável e Sr.João não resistiu, falou sem cerimonia :
-Se não for incomodo aceito um cafezinho, sair cedo e nem deu tempo comer nada.-  Muito surpreso com a visita inesperada do amigo e patrão, e querendo saber o motivo da transformação no rosto daquele homem ,  cujo   semblante antes era  triste e melancólico por causa do desaparecimento do único filho, agora com um novo brilho no olhar, parecia ter rejuvenescido uns dez anos. Assim que começaram a tomar o café Sr.João Olhou para o jovem e falou com leve sorriso nos lábios :
- Ontem conheci uma mulher maravilhosa, e você a conhece.-
- Já sei, é Nice a amiga de Betinha, eu vi vocês conversando ontem a noite . - Egidio respondeu.-
- Vim aqui porque preciso falar com ela , não sei onde encontra-la . - disse Sr.João .
- Elas precisaram sair rapidamente por causa do horário, o pai de Elizabeth é brabo.- e riram sem imaginar a situação na namorada.
Flaviano apareceu na sala ainda de pijama , e ao ver Sr.João, perguntou esfregando os olhos :
-Estou sonhando com o sócio do meu sogro isso não é bom .-  Se fosse antes o homem teria se aborrecido mas rindo respondeu :
-Vim ao encontro da felicidade e Egídio vai me levar lá - E explicou com muito entusiasmo a situação a Flaviano que perguntou a Egídio :
-Você sabe onde mora Nice? -
- Não, mas sei onde mora minha amada, e nós vamos lá - Respondeu Egídio contente por que queria ver Betinha . Flaviano tomando seu café argumentou :
-Vai sem avisar ?  Muita coragem, seu sogro anda armado, cuidado!- Eles riram, saíram determinado.
Elizabeth não conseguiu sair da cama, estava cansada, não tinha vontade nenhuma de enfrentar o pai que não havia passado bem durante a noite e mandou chamar o  Dr.Eduardo que se aproveitava da ocasião para declarar o seu amor a Elizabeth .
- Betinha o doutor quer falar com você. - Disse Mariana batendo na porta do quarto da jovem.
- Aconteceu alguma coisa com papai ? -  Assustada levantando-se rapidamente .
- Não sei , ele está no quarto do seu pai . - Respondeu Mariana se afastando rapidamente.
-  Eduardo, mandou me chamar ?  Como está papai ? - Abrindo a porta do quarto perguntou Elizabeth.
- Vamos conversar lá fora , preciso falar com você agora. -O medico estava com o olhar estranho