domingo, 26 de fevereiro de 2012

ALÉM DO HORIZONTE...



Aquela noite estava mais escura do que de costume, a natureza parecia revoltada com alguma coisa, pois a chuva caia sem piedade, e a claridade de um raio anunciava o ronco do trovão.

Os motoristas dirigiam com cautela, pois a escuridão, o para-brisa embaçado e as poças  de água que se formavam no asfalto, prejudicavam a visão dos carros e isso poderia causar algum acidente pois as pessoas só queriam chegar a suas casas em paz e relaxar do dia cansativo. De repente um carro passa em alta velocidade salpicando de água da chuva a janela do carro do Seu João que  estacionado em frente a casa de Elizabeth, ele esperava ansioso por noticias sobre Egidio.
A agonia acabou quando a voz de Nice o assustou:
- Abra a porta, estou toda molhada. -  Assim que sentou Nice colocou as mãos no rosto e começou a chorar baixinho, com essa atitude o homem  desesperado perguntava: 
-  Meu Deus, o que houve? - Nice enxugando as lágrimas respirou fundo e respondeu:
- Sabe o que sr,Albino respondeu quando Elizabeth perguntou se ele tinha alguma coisa haver com o desaparecimento de Egídio?
- O que foi que o pai de Elizabeth disse? - Seu João estava tremulo de raiva.
- Que realmente mandou dois homens oferecerem um bom dinheiro a Egidio para se afastar da sua filha e voltar para o interior, e disse que ele aceitou. -
- E você acredita nessa historia?- Perguntou o homem apavorado.
- Não sei o que pensar, Betinha está muito mal, disse ao pai que se Egidio não aparecer vai embora de casa. - Nice estava preocupada com a amiga.
- Vou levar você pra casa, e amanhã cedinho vou ligar para o pai de Egidio, só assim vamos saber se Seu Albino está falando a verdade. Falou Seu João ligando o carro e saindo rapidamente.
Elizabeth não conseguia dormir, deitada na cama ficava imaginando, por onde estaria o seu amado, teria realmente voltado para casa do pai, será que estava com frio, ou fome, se estava vivo ou morto? Este pensamento a fez estremecer e o seu coração disparou:
- Não, Deus não permitiria que uma coisa dessas acontecesse, seria o fim dos meus sonhos. - Dizendo essa frase, um soluço saiu da sua garganta junto com as lagrimas.
Seu João sabia que se fosse para casa não ia dormir, preferiu ver se Fláviano tinha alguma noticia e esse pensamento o animou. Assim que estacionou o carro, notou uma figura masculina sentada no banco do jardim, seria Egidio? Saiu correndo do carro, na esperança de abraçar o amigo:
- Seu João, tem alguma noticia de Egidio?  Perguntou Fláviano indo ao encontro do homem.
- Infelizmente não, você tem o telefone do vizinho do Seu Oscar, talvez ele esteja lá com o pai-  Disse Seu João fingindo tranquilidade.
- Não acredito Egidio nunca viajaria sem nós avisar, seria muita irresponsabilidade dele. -  Fláviano conhecia o amigo.
- Vamos entrar preciso falar com você. - Disse Seu João abraçando Fláviano.
Depois de contar tudo sobre a conversa de Nice e Elizabeth com Seu Albino Seu João acrescentou: 
- Vamos ligar para o pai de Egidio e saber se realmente ele está lá, se ele não estiver, temos que tomar outra providencia. -
- Se o velho fez alguma coisa com meu amigo, vai se arrepender de ter nascido. - Disse Fláviano esmurrando a mesa.
- Incomoda se eu dormir aqui essa noite? Preciso ligar da oficina amanhã cedo, e aqui fica mais perto. -  Pediu Seu João preocupado com o horário, pois já era onze e meia.
- Vou com o senhor, quero falar pessoalmente com Seu Oscar, se precisar vou a Mata de São João, Tudo que quero é encontrar meu amigo. - Se ofereceu Fláviano com a voz emocionada, e os dois foram tentar dormir.
Com muita dificuldade o sol foi aparecendo no horizonte, trazendo novas esperanças, a chuva deu uma trégua deixando o azul no céu com uma sensação de paz e que tudo iria dar certo.
Seis horas da manhã Seu João e Fláviano já estavam na oficina e tentavam ligar para Seu Oscar, devido as chuvas da noite anterior a ligação estava péssima, depois de muitas tentativas se ouviu uma voz do outro lado da linha:
- Alô que fala? -  Era o pai de Egidio muito preocupado.
- Aqui é João da oficina, quero saber se Egidio já chegou ai?...
                                           


CONTINUA

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A CHANTAGEM


A noite ia chegando e a espera era angustiante, Seu João não tirava os olhos da rua na esperança de ver Egidio voltando para oficina.
Não queria assustar os outros com uma suspeita sem fundamento, não tinha certeza do que havia acontecido com o jovem, por isso esperava por alguma noticia de Egídio, torcia pra que nada tivesse acontecido com rapaz.
Flaviano e Marly matavam a saudades, sentados juntinhos no sofá da sala, mas  Flaviano estranhava a ausência do amigo:
- Não sei por que Egídio ainda não apareceu, Marly! Ele sabia que ia voltar hoje? - Perguntou Fluviano.-
- Claro, ele ficou de jantar com a gente, não se preocupe, daqui a pouco ele chega. - falou Marly.
Já era sete horas da noite e nenhuma noticias de Egídio, Seu João não podia fica com a oficina aberta, tinha que fazer alguma coisa, na sua cabeça só uma pergunta: Onde estaria seu amigo? Na esperança de encontra o amigo, pensou: Ah! Deve está com Flaviano, uma esperança acendeu no seu peito, baixou as portas da oficina e correu para casa de Marly, na certeza de encontrá-lo.
O carro de Seu João percorria a cidade e o homem procurava uma pista, olhava para todos os lados na expectativa, de encontrar o jovem amigo, os pingos de chuva começou a molhar o pára-brisa atrapalhando a visão do homem, que nervoso pensou: -  Essa chuva só faz atrapalhar.- com raiva esfregava a flanela no vidro do carro tentando melhorar a visão.
Quando estacionou o veiculo em frente a residência de Marly,observou que as luzes estavam todas acesas, isso lhe trouxe mais esperança, respirou fundo e tocou a sirene:
- Seu João, que surpresa! - Falou Marly realmente surpresa.
- Me perdoe a interrupção, mas  estou a procura de Egídio.- disse Seu João tentando olhar por cima do ombro de Marly e ver finalmente a figura do amigo.
- Entra, mas Egídio não está aqui, estamos esperando por ele. – Flaviano ouviu a conversa e se aproximou:
- O Senhor não sabe onde está Egídio? Ele não foi trabalhar? –
- Sim, mas aconteceu algo estranho. Preciso conversar com vocês, estou muito preocupado. – falou Seu João, se sentando e apesar da chuva, suava muito.
- O que houve com meu amigo? Fale por favor. – Perguntou Flaviano muito assustado. 
- Eu não sei, quando cheguei do almoço Seu Ramos me disse que dois homens estranhos o levaram dizendo que precisava de seus serviços e até agora não voltou. - 
- E meu pai está onde – Perguntou Marly sem entender direito.
- Seu Ramos ficou no escritório fazendo pedidos de algumas peças de carros que não encontramos aqui. - 
- E o senhor não tem nenhuma suspeita do que aconteceu com Egídio -  Perguntou Flaviano demonstrando ansiedade.
- Deus queira que eu esteja enganado, mas ultimamente o pai de Elizabeth tem mandado recado ameaçando Egídio caso ele não deixe a filha em paz, mas isso não quer dizer nada-  Disse Seu João sem querer assustar os amigos.
- Eu não entendo uma coisa dessas, Egídio é apenas um jovem que está começando a vida, e quer ser feliz, e ama Elizabeth, e não  é ameaça pra ninguém. - Marly falou quase chorando.
- Não vamos pensar no pior, talvez ele esteja dando uma volta por ai para esfriar a cabeça, vamos esperar. - Falou Flaviano abraçando a noiva com otimismo.
Oito horas da noite Nice ainda trabalhava em seu atelier para entregar o vestido de noiva. Duas mulheres folheavam uma revista em quanto esperava o ultimo retoque, Rafa filho de Nice fazia o dever da escola sentado no chão com o material escolar espalhado junto a ele. Alguém bateu na porta de vidro que estava muito embaçada, pois a chuva estava ainda mais forte.
Nice pode observar que se tratava de homem, levantou-se para ver quem era o visitante, uma voz a tranquilizou:
- Sou eu Nice - Respondeu Seu João.
- Meu Deus você esta todo molhado, entre logo- disse Nice.
- Ia passando e vi a luz acessa e resolvi te ver- Mentiu o homem.
- Estou terminando, vai esperar? - Respondeu Nice feliz.
- Claro, vou conversar um pouco com Rafa. - 
Uma hora depois Seu João dirigia com muito cuidado, o asfalto estava molhado e a luz dos outros carros prejudicava a visão do motorista, seus pensamentos estavam no jovem amigo. –
- Você está muito calado, aconteceu alguma coisa? – Perguntou Nice estranhando o silencio de Seu João.
- Não é nada, só estou preocupado com Egídio.  
- Por quê? - Perguntou Nice já preocupada.
Seu João contou rapidamente tudo a Nice procurando não exagerar, não queria preocupá-la.
- O que? E você acha que não é nada de mais, S. Albino é capaz de tudo. - Falou Nice quase gritando.
- Calma! Vamos esperar até amanhã... – disse o homem fingido calma.
-  Esperar até amanhã? Não acredito no que estou ouvido, vamos resolver agora. – Nice estava revoltada.
- Resolver como? – perguntou Seu João sem entender.
- Vamos para casa de Seu Albino. - falou a mulher.
- Mas já vai dá dez horas - disse o homem
- Não importa, vamos tirar tudo a limpo agora, não vou conseguir dormir- Nice estava decidida
Quinze minutos depois já estavam em frente à casa de Elizabeth tocando um sininho da entrada do portão, não demorou muito e Elizabeth apareceu, vendo a amiga perguntou assustada:
- Nice, o que aconteceu?  -  quando o portão foi aberto Nice entrou e Seu João ficou do carro com o menino.
Procurando resumir ela contou tudo a amiga, que a cada palavra que escutava ficava assombrada.
- Me diga, por favor? O que vamos fazer? Perguntou Elizabeth muito pálida.
- Perguntar ao seu pai se ele tem alguma coisa a ver com essa historia. -   Falou Nice com calma,não queria magoa a amiga.
- Isso é horrível, não posso acreditar. –
- Vamos tirar a prova agora? – perguntou Nice segurando a mão da amiga.
- Sim. -   As duas amigas entraram disposta a tudo.