Era um momento de grande tensão, porque Elizabeth tinha consciência que dependendo da resposta de Fláviano haveria uma mudança radical na relação entre ela e o seu pai, e Flaviano sabia disto, por esse motivo procurou falar com muita cautela:
O seu pai te ama muito, o que ele fez foi só pensando em te proteger, e...- mas foi interrompido por Elizabeth que estava no limite de suas forças e argumentou :
- Por favor Fláviano! fale logo o que aquele homem contou pra você sobre o desaparecimento de Egídio? – o rapaz respirou fundo e começou a falar tranquilamente:
- Tudo bem! o tal homem falou que foi o seu pai que mandou ele investigar tudo sobre Egídio.- mais uma vez foi interrompido:
- Qual o motivo de tanta perseguição?- perguntou Nice muito revoltada.
- O que deu pra entender, foi que Sr.Albino não aceita Egídio como genro pela sua situação financeira.- tentou explicar Sr.João.
- E porque o senhor está dizendo isso?- Elizabeth só queria ter certeza.
- Pela carta e o dinheiro que ele mandou entregar a Egídio do dia que foram na oficina.-
- O que dizia a carta? - mais uma pergunta da moça.
- O que está escrita na carta, só vamos saber quando conversar com Egídio, mas o dinheiro era para que ele sumisse de sua vida. – disse Fláviano olhando fixamente para Elizabeth, que levantou- se rapidamente e se dirigiu até a janela para respirar, parecia sufocada:
- Eu não queria acreditar que meu pai fosse capaz de tanta sujeira, e que mais o homem falou? Perguntou Elizabeth visivelmente abalada. Preocupada com a amiga, Nice se aproximou a abraçou e falou carinhosamente:
- Betinha, deixe o resto pra depois, vamos comer alguma coisa , está tudo bem agora.- Ela deu um sorriso sem graça e abraçando a amiga e falou:
- Me desculpe, eu sou egoísta, vocês estão com fome, e eu só estou pensando só em mim. -
Marly aproveitou a ocasião e como estava realmente com fome, sugeriu:
- Vamos todos para mesa, a comida está uma delicia, depois terminamos a conversa no jardim. - Todos concordaram imediatamente, e se dirigiram para a outra sala.
Durante o almoço só o ruído de talheres se ouvia e Marly como sempre com o seu jeito atrevido se levantou e disse:
- Meu Deus! Que silencio, parece que morreu alguém, vou colocar uma musica para alegrar o ambiente. - todos foram obrigado a rir, ela foi até o aparelho de som e colocou uma musica muito melancólica , e Nice falou sorrindo :
- Valeu a intenção, o resultado foi positivo, mesmo assim vou esperar por vocês lá fora.- levantando-se foi para o jardim.
Meia hora depois quando todos se encontravam sentados no jardim e o vento balançava as folhas das arvores deixando a tarde mais fresca e tudo parecia tranquilo, uma pergunta acabou com a magia daquele momento:
- Agora Fláviano posso saber o que aconteceu realmente com Egídio e porque está se escondendo? - insistiu Elizabeth.
- Pelo que eu entendi o Sr. Albino só queria assustar Egídio, e imaginou que ele só estava interessado em seu dinheiro e quis tirar a prova. - Elizabeth ficou de pé e perguntou:
- Não entendi, tirar a prova, ameaçando e assustando as pessoas?. –
- Quando eu disse ao homem que ia chamar a policia, ele resolveu me contar tudo. – falou Fláviano já querendo acabar com aquele assusto.
Sr.João resolveu intervi e facilitar na conclusão do assunto:
- Na verdade os dois bandidos ofereceram o dinheiro para Egídio, como ele não aceitou , jogaram ele no trem e ameaçaram o matar caso ele voltasse. -
- Coitado de Egídio imagine como ele deve ter ficado. - disse Nice.
- Mas quero deixar bem claro, Sr.Albino está pensando que Egídio aceitou o dinheiro e voltou para sua cidade.- falou Flaviano preocupado com Elizabeth.
-Como você pode garantir que é verdade?. – perguntou Marly.
- Eles confessaram que ficaram com o dinheiro de seu pai, Sr. Albino foi enganado.
- Bem feito, meu pai não é nenhum santinho, e agora mesmo vou ter uma conversa seria com ele. - disse Elizabeth se despedindo dos amigos.
- Vamos te levar em casa. - falou Sr.João pegando Nice pela mão.
- Amanhã você vai com agente buscar Sr. Oscar na estação? - perguntou Nice.
- Claro, quero está presente quando for buscar Egídio.- disse Elizabeth sentando no banco traseiro do carro.
Elizabeth beijou Nice, agradeceu a Sr.João , abriu o portão e entrou rapidamente.
Mariana parecia preocupada, e ao vê-la falou :
- Onde você estava Betinha, o seu pai está desesperado . – olhando fixamente para Mariana, desconfiada que talvez ela estivesse sabendo de tudo, falou:
- Ele vai ficar desesperado agora, onde ele está?
Continua...



