sexta-feira, 27 de maio de 2011

"O PRESENTE! "


NONO CAPITULO


Egídio acordou assustado com o apito do trem que acabava de sair da estação da calçada, não conseguiu dormir direito, foi difícil acostumar com a cama, olhou o relógio era 09 hs estava atrasado para o encontro com seu novo amigo (Flaviano).
- Como estou horrível! - falou olhando para o espelho. Tomou um banho rápido, pois não queria chegar atrasado, tinha medo que Flaviano fosse embora e perdesse o contato.
Ainda sentindo-se estranho, correu para porta e quase esbarrou com d. Zequinha, a dona da pensão.
- Bom dia rapaz, dormiu bem? - perguntou a senhora simpática de cabelos grisalhos.
- Ah! sim, muito bem.- falou Egídio embaraçado
-Não vai tomar café? fiz um bolo de aipim. - ofereceu a boa senhora.
- Obrigado, vou me encontrar com Flaviano, logo estou de volta.- E saiu correndo, e ainda escutou a voz da senhora: - Diga a Flaviano que vou guardar um pedaço de bolo pra ele, tome muito cuidado filho a cidade é perigosa!-
- Fique tranquila tia! volto já. - respondeu já na calçada da pensão.
 D. Zequinha tinha razão. pensou: como tudo era diferente da sua cidadezinha, lá os comerciantes se conhecia: o açougueiro, o padeiro, o bazar  de D. Catarina, ela vendia de tudo um pouquinho: roupa, sapato ,cadernos, agulha, linha brinquedos etc.: D. Catarina era muito amiga da sua mãe, costumava na época de escola, festas e aniversários facilitar o pagamento pois sabia da dificuldades que era para criar cinco crianças. As lembranças eram muito viva em sua mente, caminhava entre as pessoas com  medo de se perder pois não conhecia nada, pegou o endereço no bolso e conferiu a loja de brinquedos que ficava perto do lugar marcado.
Egídio parou enfrente da loja foi ai que lembrou-se que o natal estava próximo, bolas ,bonecas jogos e enfeites natalinos o fez sentir um aperto no coração, lembrou do ultimo natal que sua mãe preparou uma surpresa para os filhos, Naquela véspera de natal seu Oscar estava triste por não poder comprar os presentes para todas crianças, só os dois menores. Com raiva pensou: natal é uma grande injustiça, pois enquanto algumas famílias comemoram com fartura, presenteado seus filhos com presentes caros, outras sofrem por não ter como presentear seus filhos. A mãe de Egídio d. Leonidia  levou os filhos até o bazar de dona Catarina, cochichou alguma coisa com ela, depois voltou com um grande sorriso nos lábios:
- Podem escolher cada um o brinquedo que gostarem, só um viu? -  falou a mãe.
As crianças correram a procura mas Egídio já sabia o que queria e foi direto a para onde estava o presente dos seus sonhos: um carrinho de bombeiro, admirava essa profissão, Noêmia a irmã agarrou uma boneca de cabelos loiros, as duas mulheres sorriam ao ver alegria estampada dos rostinhos das crianças.

-Deseja alguma coisa?- era a vendedora da loja com um gorrinho vermelho.
Voltou a realidade: - Não, só estava olhando. - disse o rapaz.
-DEUS, não vou conseguir chegar a tempo. -   
.O restaurante ficava do outro lado, atravessou a rua correndo, parou em frente a porta, olhou para certifica-se que realmente era " O GRANDE PONTO" 
- Até que enfim, pensei que havia se perdido. - era a voz de Flaviano.
- Que alivio! pensei que nunca mais ia te encontrar. - falou feliz
- Essa é minha noiva Marly. - disse o amigo. Foi ai que notou a presença da jovem loirinha de rosto corado que pegou a mão do jovem e falou:
-Muito prazer, meu noivo falou tanto de você, que quis te conhecer.-
- O prazer é meu, Flaviano foi mais que uma pai pra mim! - falou Egídio emocionado.
- Epa! pode parar, um irmão sim pai nunca, está me chamando de velho?- argumentou Flaviano rindo.
Depois de tomarei o café, Marly perguntou a Egídio:
- Você já tem emprego? -
- Ainda não.- respondeu o rapaz.
- Posso conseguir algo provisório, só ate conseguir outro melhor.- disse Marly.
- Claro, é tudo que eu mais quero, quando posso começar?- perguntou.
- Calma, deixe Marly explicar que trabalho é, talvez você não goste.-   disse Flaviano.
Era na oficina do pai de Marly, para auxiliar um funcionário antigo, Egídio simplesmente adorou, pois gostava muito de carros.
- Eu prometo que vou me esforçar para aprender a profissão de mecânico.- falou feliz.
- Então amanhã bem cedo esteja desse endereço, é fácil, fica atrás dessa rua.-  Marly entregou um papel na mão de Egídio.
-Amanhã será um novo dia! - pensou.

CONTINUA...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

"A UM ANJO"




OITAVO CAPITULO
Já acomodado em um quarto da pensão,respirou aliviado, o ambiente era  simples sem nenhum luxo, mais muito limpo,cheirando a flores silvestres,curioso correu para abrir uma janelinha pintada de azul,ficou surpreso ao notar a coincidência, as arvores e flores pareciam muito com o quintal da sua casa, isso o fez se emocionar e pensar no pai e seus irmãos, sacudiu a cabeça para afastar os pensamentos. Uma cama de solteiro forrada com lençóis amarelos ficava perto da janela, Egídio sentou e automaticamente  abriu sua mala e começou a tirar os poucos objetos que trouxera,e sem pressa foi arrumando as roupas em uma cômoda com três gavetas, no fundo da mala achou os livros que escolheu na estante do pai, arrumou em cima da comoda e sentido-se cansado encostou a cabeça no travesseiro e observou as nuvens no céu que pouco a pouco  formavam figuras que ele tentava decifrar, que maravilha! falou baixinho e pensou como pode uma pessoa duvidar da existência de DEUS, pensou no pai e como era muito admirador  da natureza, seu Oscar era muito sensível ficava horas e horas sentado na varanda bem cedinho só para escutar o canto dos pássaros, ou para ficar um pouco sozinho antes dos filhos acordar e começar a correr pra cima e pra baixo para caçar passarinhos coisa que seu Oscar não gostava, quando não era isso eu e meus irmãos tentava
 irritar nossa irmã Noêmia a única filha mulher entre quatro filhos homens, quando ela estava lendo algum romance de príncipes encantados, ela  possuía o mesmo dom do nosso pai: amava ler, muitas vezes trancava a porta do quarto tentado ler sossegada, Egídio suspirou pensando o que estariam fazendo seus irmãos nessa hora, com certeza reunidos na cozinha saboreando a sopa do papai.
O lugar que mais gostava era o pequeno riacho que nos finais de semana costumavam ir tomar banho e jogar bola, nunca na vida passaria por sua cabeça sair daquele lugar, mas infelizmente ou felizmente não sei, precisamos tomar decisões, que pode fazer a diferença em nossa vida, e era o que estava acontecendo com Egídio naquele momento.
As lágrimas teimavam em querer rolar pelo seu rosto: -Não posso voltar atras.- pensou alto, como para espantar as lembranças, pegou um livro com capa amarelada pelo tempo, escrito poemas, quando abriu o livro uma folha de papel dobrada, curioso leu, era mais uma poesia de senhor Oscar:



Oscar Pereira
A um Anjo

Bendito sejas, meu dourado sonho,
Doce ideal do meu viver de dor;
Céu em que minhas esperanças ponho,
Deusa a quem voto imaculado amor!

Bendita sejas, terna virgem pura,
Dilecta filha divinal de Deus,
Luz que me aponta a estrada da ventura,
Éden formoso dos sonhares meus!

Bendito sejas meu fanal brilhante,
Ingênuo arcanjo que do céu me veio,
trazendo amor no olhar purificante,
Amor trazendo no virgíneo seio!

Prefiro a terra de armaguras tristes,
Ao venturoso céu donde viestes,
Porque é na terra que tu hoje existes,
Imaculado querubim celeste.

já que deixas o trono do Senhor
Para, entre as flores, habitar na terra,
vem aos meu braços, que te dou o amor
Imenso e infindo que minha alma encerra.


Esse poema ele fez quando a filha Noêmia nasceu, foi muita alegria pra família, linda, e saudável, o poema chama-se " A um anjo".  Terminando a leitura, caminhou até a  janela observou o grande o movimento de pessoas , carros e o bonde que passava pelos trilhos levando as pessoas para casa, enquanto as luzes  no poste se acendiam uma após as outras .
Egidio se deu conta que precisava escrever para  o pai , tinha que tranquiliza-lo, com certeza estava preocupado , podia imaginar seu pai orando e pedido a Deus que livrasse o filho do mal , e foi o que aconteceu, pegou  papel e caneta e com rapidez tranquilizou o pai, prometendo que daria noticia com frequência.  Muito cansado pela viagem emocionante, adormeceu pensando no encontro com Flaviano , estava ansioso...


CONTINUA...

sábado, 21 de maio de 2011

"SEM LUTAS NÃO HÁ VITÓRIAS"

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SÉTIMO CAPITULO 


Os olhos de Egídio brilharam de raiva daquele rapaz que antes tinha achado muito simpático, agora ele queria matar os seus sonhos, tirando a esperança de mudar a sua estória. O trem parou na estação, Egídio  observou pela janela a multidão de pessoas para desembarcar na estação, era muita confusão, elas  esbarravam uma nas outras, cada uma preocupada com sua própria vida, Egídio saiu rapidamente e misturou-se com a multidão, ninguém notava sua presença, parecia invisível e isso o deixou muito assustado não estava acostumado com a frieza de comunicação dos moradores daquela cidade, de onde veio todos se conheciam até pelo nome.
Sem perceber esbarrou em uma senhora um pouco robusta, e antes de pedir desculpas, a mulher o ofendeu e perguntou se ele está cego, só faltou bater no jovem. Esse episódio o deixou apavorado, fazendo o seu coração acelerar, as mãos soavam frio parecia que ia desmaiar, era uma sensação horrível, se encostou na pilastra,respirou fundo e ficou esperando diminuir o movimento. Nesse momento lembrou-se do rapaz que encontrara no trem, e começou a entender a preocupação dele, quando ficou sabendo dos seus planos de procurar emprego sem ao menos ter um currículo ou alguém conhecido para orienta-lo, como um relâmpago um pensamento de dúvida o atormentou : será que tomará a decisão certa? Imediatamente veio a lembrança do pai que nos momentos difíceis dizia:- Filho nada na vida é fácil, temos que ser fortes e corajosos, e sempre falava essa frase quando enfrentava momentos difíceis: "Sem lutas não há vitórias". Como seu velho tinha sabedoria! mais tranquilo, falou baixinho: - Obrigado pai! Preparava-se para pedir informação a um funcionário da leste quando uma voz familiar perguntou; - Que aconteceu? me perdoe se te ofendi, só estava preocupado com você. Vamos fazer as pazes? aperta minha mão amigo. - disse Flaviano com um sorriso tão sincero que Egídio sentiu um alívio muito grande que parecia conhece-lo a anos.
- Para selar a nossa amizade, te convido para tomar um refrigerante no bar de um amigo meu, aceita?Egídio ficou feliz com a chegada do rapaz que algumas horas atrás não passava de um desconhecido e disse: Vou procurar uma pensão para alugar um quarto.

- Sei onde fica uma bem em conta, vamos ver? Se ofereceu o amigo.
Atravessaram a rua, caminhavam em direção a um prédio antigo, quando Fláviano sugeriu:
- Vamos tomar um refrigerante em lugar aconchegante.
Era um salão muito amplo com mesas e cadeiras de madeira escura e um grande balcão onde algumas pessoas conversavam alegremente.
Fláviano e Egidio se acomodaram em das mesas, logo apareceu um homem baixo com um bigodinho engraçado e perguntou:
- Qual o pedido Fláviano? – Pepi, quero te apresentar o Egidio meu amigo do trem. Falou Fláviano batendo no ombro do amigo com firmeza, os três riram, - Queremos almoçar, aquele rango que só tem aqui.
- Estou sem fome. –murmurou Egidio achando que já era demais
-Você está achado que é de graça? Quando estiver trabalhado te dou a conta, e piscou o
olho para Pepi, que saiu rindo para buscar o almoço.
Quando saíram do GRANDE PONTO, (este era o nome do restaurante de Pepi) pararam em frente a um sobrado de dois andares, Flaviano apertou a campainha e uma senhora de cabelos grisalhos abriu a porta, sorridente falou:
- É você Flaviano, enfim lembrou da sua velha amiga. -
- Bom dia tia Zequinha, vim trazer um amigo pra senhora cuidar.- falou Flaviano beijando a testa da senhora.
- Que bom! como se chama meu jovem? - perguntou a senhora.
- Egídio.- respondeu o jovem com timidez.
- Vem meu querido, vou te mostra uma quarto confortável.
- Obrigado tia! Egídio,amanhã me encontre do bar do Pepi, quero te apresentar uma pessoa que talvez possa te ajudar. Até amanhã amigo – apertou a mão de Egidio que disse emocionado: -Obrigado meu amigo.             


Continua...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

"UM AMIGO ´COISA RARA!"



SEXTO CAPITULO

Tudo era novo para Egídio, seus olhos brilhavam ao contempla a bela paisagem que desfilava  pela janela do trem, era um verde muito lindo, como um tapete onde os animais pastavam tranquilos aproveitando aquele cenário criado pela mão de Deus,respirou fundo e dormiu.
Dormindo sonhou com o pai sentado na varanda esperando por ele, de repente Egídio aparecia abrindo o portão, e o Seu Oscar abria os braços e dizia: - Eu sabia que você não ia me deixar.-  e abraçados choravam emocionados. Na mesa da cozinha um cuscuz de milho delicioso, que só seu pai sabia fazer e o velho bule de alumínio que brilhava, soltava uma fumaça com um aroma de café fresquinho, seus irmãos ao vê-lo gritavam e pulavam de alegria. Mas um apito do bilheteiro avisando da parada da próxima estação, fez Egídio despertar assustado, uma sensação de um vazio e solidão invadiu seu peito.
Uma voz masculina e muito alegre o fez voltar a realidade:
- Amigo, posso ocupar esse banco? -
- Pode sim, está vazio - Respondeu Egídio sem motivação, não queria conversar com ninguém.
O trem estava cheio, as pessoas conversavam alto por causa do barulho, outras cochilavam aproveitando aqueles momentos  para descansar, o dia de trabalho seria cansativo, e tinham acordado muito cedo.
Mas uma vez o rapaz do lado insistiu em puxar assunto:
-É servido lanchar comigo? tenho dois sanduíches quentinhos.
Foi ai que Egídio lembrou que não tinha comido nada, estava com uma fome tremenda, mas não conhecia aquele rapaz, não podia aceitar, e respondeu:
- Muito obrigado. e voltou a olhar para fora da janela.
Parecendo ter lido os pensamentos de Egídio, o rapaz estendendo a mão com um sorriso nos lábios disse:


Me chamo Flaviano, moro em Salvador fui visitar minha mãe e ela fez esse lanche e eu não quero comer sozinho, já me apresentei, aceita o lanche?  - Um pouco sem graça,sorriu simpatizando com o jeito espontâneo do rapaz e falou apertando a mão de Flaviano:
- Meu nome é Egídio moro em Mata de S. João e estou indo para Salvador. .
Então respondeu Flaviano:
-Já que somos amigos, podemos comer agora? estou faminto. - Ainda sem graça Egídio aceitou  aquele lanche que chegará na hora certa pois estava com muita fome. Comeram em silêncio e logo apos Flaviano olhou para o jovem e interrogou:
- Posso saber o que vai fazer em Salvador?- Egídio ficou um pouco encabulado não esperava aquela pergunta:
- Desculpe estou sendo indiscreto, só achei você muito jovem para viajar sozinho.- disse o rapaz.
Só agora Egídio pode observa a figura do novo amigo: moreno, meio gordinho, os cabelos cacheados,aparentava uns vinte vinte cinco anos os olhos brilhantes, que demostravam confiança, e logo Egídio respondeu firmeza:
- Vou trabalhar! -
- Que bom! qual o nome da firma, talvez eu conheça o dono? - perguntou Flaviano.
- Ainda não sei, vou procurar nos jornais.-  disse Egídio confiante.
- É brincadeira! você está me dizendo que vai para Salvador para trabalhar e ainda não sabe onde? disse o rapaz dando uma gargalhada.
- É isso mesmo, porque está rindo? falei alguma coisa engraçada?- falou Egídio aborrecido.
- Não estou rindo de você, estou achando graça da sua coragem ou talvez inocência.
- Me explique porque? - perguntou Egídio.
- Não quero te enganar, mas vai ter que ser muito forte para enfrentar as lutas até encontrar um bom emprego, isso é se conseguir!
Egídio olhou para o rapaz e ,,,,
continua...

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segunda-feira, 16 de maio de 2011

"O BALANÇO DO TREM"


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QUINTO CAPITULO

O trem saiu da estação lentamente e foi pegando o embalo com seu ritmo sincronizado envolvendo os passageiros como quisesse consolar cada um conforme os seus problema, inclusive Egídio que embora estivesse de corpo naquele trem, seus pensamentos estavam na família que deixara para trás.
Como em um filme as lembranças fluíam em sua mente, causando um pequeno mal estar, suas mãos suavam, encostou a cabeça na cadeira do trem e observou as paisagens que passavam rapidamente lá fora, tentava distrair e afastar por enquanto as lembranças. Sabia que seria muito difícil, como esquecer de fatos que marcaram sua infância, momentos alegres, as tardes de domingo onde se reunião na varanda depois do almoço: dona Leonidia fazia seu crochê e Seu Oscar lia e cochilava ao mesmo tempo, enquanto Egídio e seus irmãos brincavam no jardim.  Egídio tinha um cantinho especial, onde chorava escondido não queria ver o pai mais abatido, a dor de perder a pessoa que mais amava, ainda estava dentro do peito, com certeza foi o  momento mais difícil: a perda da mãe,e o sofrimento do pai para segurar essa situação, as perguntas das crianças, elas não entendiam e queriam saber onde estava sua mamãe? a resposta era sempre a mesma: - Foi para junto de Papai do céu.- e logo vinha outra pergunta: - Quando ela vai voltar papai? Dona Leonidia se foi precocemente deixando um grande vazio, superar a perda da esposa, grande companheira, era quase impossível. Casaram-se muito jovens e lado a lado batalharam para formar uma linda família. Mas a ironia do destino interrompeu os planos de um dia viajarem juntos e tomarem banho de mar, conhecer as praias de Salvador.    
De repente tudo mudou, seu pai se tornará um homem triste e reservado dedicava a maioria do tempo a sua profissão (policial civil) e aos filhos, agora era pai e mãe.
A noite era a pior parte, quando todos dormiam batia a tristeza com lembranças de momentos felizes que sabia não voltariam mais e para aliviar a dor na alma que parece uma ferida aberta que só o tempo e Deus poderia cicatrizar. Seu pai ia para varanda onde havia duas cadeiras de balanço, lugar preferido de dona Leonidia,e ficava olhando o céu, conversando com DEUS procurando resposta para morte prematura da sua companheira. Para aliviar a saudade, Oscar escrevia lindos poemas, que Egídio gostava de ler,achava muito bonito, admirava a inteligencia do pai, por isso tinha escolhido um poema como recordação, e começou a ler no trem.
A cada estação que passava mais próxima ficava o destino do jovem, que ia começar uma nova jornada sem a proteção do pai.
Tremeu só de pensar!
-Será que tomará a decisão certa?

CONTINUA...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

QUEM PARTE LEVA SAUDADE, QUEM FICA MORRENDO DE DOR.

Terceiro capítulo:
Era uma manhã maio de 1945, os pingos da chuva caia sobre a grama,   tornando o dia melancólico.
Eram cinco horas da manhã só se ouvia o galo que cantava ao lado da janela, Egídio já estava acordado, sentado na cama; ao lado em cima de uma cadeira havia uma maleta de couro marrom ainda estava aberta, o rapaz foi até sala parou em frente a estante escolheu alguns romances.(ele tinha herdado do pai o dom pela leitura, alias todos os filhos inclusive a irmã mais nova passava a maior parte do tempo devorando os romances, era inacreditável o gosto que a família Pereira exercia pelos livros) voltou para o quarto guardou os livros que escolhera na mini- biblioteca do pai fechou a maleta se encaminhou para porta, não queria se despedir do pai nem dos irmãos sabia que seria doloroso não queria chorar nesta hora poderia desistir dos seus planos, isso era a ultima coisa que queria. Antes de fechar o portão olhou aquela árvore que fez parte da sua infância, quantas vezes quando estava triste subia e se escondia entre as folhagens e ficava sonhado com uma vida melhor, e até chorava! ali era seu cantinho secreto. E da agora da despedida observava o quanto aquela arvore era bonita, as folhas ficaram mais verdes as gotas de orvalho pareciam lágrimas de tristeza pela fuga do jovem, que emocionado abaixou-se e pegou uma folha da velha companheira que muitas vezes sentava em baixo da arvore para lê ou simplesmente cochilar, e sua amiga o protegia do sol com a sombra dos seus galhos, colocou a folha no bolso e saiu quase correndo: até breve amiga.
Chegou na estação se encaminhou para bilheteria e perguntou a o homem que estava vendendo os bilhetes:
-- A que horas sai o próximo trem?
- As 6horas, quer o bilhete ?
- Sim. -  respondeu com firmeza.
Ainda faltava algum tempo para chegada do trem, olhou a sua volta procurando um banco onde não pudesse ser visto, não queria encontrar ninguém conhecido, iriam fazer perguntas que nem ele saberia responder nesse momento, só o tempo faria isso, era o que esperava.
Sentou no banco pegou um livro procurando esconder o rosto para não ser reconhecido, abriu distraído quando notou  uma folha de papel dobrada , abriu curioso para saber o que estava escrito, o papel estava manchado de pequenas gotas que parecia lágrimas, não conseguiu terminar de lê seus olhos se encheram de lágrimas que se juntaram as do papel.      

quinta-feira, 5 de maio de 2011

" LAR DOCE LAR! "



Segundo capítulo

O sol despontava no lindo céu azul, como um raio de esperança! Egídio levantou-se rapidamente com receio de voltar atrás, queria  comunicar ao pai a decisão que tomará, não podia perder tempo e nada que seu pai dissesse o faria desistir não suportava mais aquela situação.

Seus olhos encheram-se de lágrimas ao comtemplar a ampla sala, com uma grande mesa de madeira rústica os dois bancos compridos de cada lado da mesa que já estava preparada para o café da manhã, com uma cestinho de vime  com pães fresquinhos  e um bule com café que deixava um delicioso aroma no ar, era costume do seu pai acordar cedo e deixar tudo pronto para seus filhos, tudo era simples, mas muito aconchegante.
Do outro lado da sala uma enorme estante da mesma madeira da mesa com uma imensa quantidade de livros de temas variados, a literatura era gosto de família. Exemplo: historias infantis,  livros policias, romances uma pequena biblioteca, senhor Oscar se orgulhava muito, nada lhe dava maior prazer que a leitura, fazia lindos poemas que guardava com carinho. Egídio notou no canto da mesa um livro grosso, o mesmo que estava na mão do pai durante a noite passada, se aproximou pegou o livro de capa preta e leu: A bíblia Sagrada, abraçou aquele livro como abraçasse o próprio Deus, olhou para o alto e falou no coração: Senhor me dê forças, neste momento ouviu o barulho da porta, assustou-se e esperou o pai entrar e falou rápido com receio de não ter coragem:
¬Meu pai vou para Salvador!


- Que brincadeira é essa? -perguntou o pai sem entender.
- Quero ajudar o senhor, preciso  trabalhar e aqui em Mata de São João já procurei uma maneira  de ganhar dinheiro, e não conseguir, vou para Salvador.
- Como assim? você já decidiu sem procurar saber minha opinião? - O senhor Oscar estava muito nervoso e Egídio sabia que não seria fácil fazer o pai entender como era importante para ele sente-se útil, diminuir a carga do seu velho , desde a morte da mãe, dona Leonidia, o pai se dedicava completamente aos filhos .
Tomou coragem e mais uma vez tentou convencer o pai que só estava tomando esta decisão por amor a família, e que não estava abandonado sua casa, e sim buscando solução.
- Tudo vai dá certo pai!  vou conseguir um emprego, venho todos os meses e trago dinheiro para o conserto da casa. É melhor assim!
Senhor Oscar encarou seu filho com os olhos marejados de lágrimas, sua voz estava firme, mas por dentro
escondia um grito na garganta e a vontade de dizer: Você não vai, esta decidido eu sou seu pai e não vou deixar, mas o que saiu da sua boca foi: - Filho eu só quero que saiba uma coisa, o mundo lá fora é uma selva, onde as feras maiores devoram as menores, é a lei da sobrevivência. Nossa casa é humilde, não possui luxo mas existe amor, e torna-se um castelo forte. Depois de DEUS a família é a base de tudo. Você tem livre arbítrio, não estou convencido que essa sua decisão está certa, mas, você é livre!
- Egídio ficou balançado mas tinha que tentar. Disse:- Quero a sua benção. -
-Você esta abençoado meu filho. -  Sem olhar para filho foi até a janela onde os outros filhos brincavam tranquilamente em uma gangorra sem perceber o que se passava.
Egídio antes de sair da sala, olhou aquela figura alta magra o rosto fino, o bigode marcante parecia um general, aquele era seu pai seu herói.
  
 
CONTINUA...

                                                                      Oscar Pereira