SEXTO CAPITULO
Tudo era novo para Egídio, seus olhos brilhavam ao contempla a bela paisagem que desfilava pela janela do trem, era um verde muito lindo, como um tapete onde os animais pastavam tranquilos aproveitando aquele cenário criado pela mão de Deus,respirou fundo e dormiu.
Dormindo sonhou com o pai sentado na varanda esperando por ele, de repente Egídio aparecia abrindo o portão, e o Seu Oscar abria os braços e dizia: - Eu sabia que você não ia me deixar.- e abraçados choravam emocionados. Na mesa da cozinha um cuscuz de milho delicioso, que só seu pai sabia fazer e o velho bule de alumínio que brilhava, soltava uma fumaça com um aroma de café fresquinho, seus irmãos ao vê-lo gritavam e pulavam de alegria. Mas um apito do bilheteiro avisando da parada da próxima estação, fez Egídio despertar assustado, uma sensação de um vazio e solidão invadiu seu peito.
Uma voz masculina e muito alegre o fez voltar a realidade:
- Amigo, posso ocupar esse banco? -
- Pode sim, está vazio - Respondeu Egídio sem motivação, não queria conversar com ninguém.
O trem estava cheio, as pessoas conversavam alto por causa do barulho, outras cochilavam aproveitando aqueles momentos para descansar, o dia de trabalho seria cansativo, e tinham acordado muito cedo.
Mas uma vez o rapaz do lado insistiu em puxar assunto:
-É servido lanchar comigo? tenho dois sanduíches quentinhos.
Foi ai que Egídio lembrou que não tinha comido nada, estava com uma fome tremenda, mas não conhecia aquele rapaz, não podia aceitar, e respondeu:
- Muito obrigado. e voltou a olhar para fora da janela.
Parecendo ter lido os pensamentos de Egídio, o rapaz estendendo a mão com um sorriso nos lábios disse:
- Meu nome é Egídio moro em Mata de S. João e estou indo para Salvador. .
Então respondeu Flaviano:
-Já que somos amigos, podemos comer agora? estou faminto. - Ainda sem graça Egídio aceitou aquele lanche que chegará na hora certa pois estava com muita fome. Comeram em silêncio e logo apos Flaviano olhou para o jovem e interrogou:
- Posso saber o que vai fazer em Salvador?- Egídio ficou um pouco encabulado não esperava aquela pergunta:
- Desculpe estou sendo indiscreto, só achei você muito jovem para viajar sozinho.- disse o rapaz.
Só agora Egídio pode observa a figura do novo amigo: moreno, meio gordinho, os cabelos cacheados,aparentava uns vinte vinte cinco anos os olhos brilhantes, que demostravam confiança, e logo Egídio respondeu firmeza:
- Vou trabalhar! -
- Que bom! qual o nome da firma, talvez eu conheça o dono? - perguntou Flaviano.
- Ainda não sei, vou procurar nos jornais.- disse Egídio confiante.
- É brincadeira! você está me dizendo que vai para Salvador para trabalhar e ainda não sabe onde? disse o rapaz dando uma gargalhada.
- É isso mesmo, porque está rindo? falei alguma coisa engraçada?- falou Egídio aborrecido.
- Não estou rindo de você, estou achando graça da sua coragem ou talvez inocência.
- Me explique porque? - perguntou Egídio.
- Não quero te enganar, mas vai ter que ser muito forte para enfrentar as lutas até encontrar um bom emprego, isso é se conseguir!
Egídio olhou para o rapaz e ,,,,
continua...
.
Menina, vendo esta foto lembrei que meu pai quando me levava as viagens pra Salvador,eu fazia questão de sentar na janela, adorava ver estas fazendas com os gados pastando, o cheirinho de mato misturado aos estercos dos animais, o ruído das rodas deslizando pelos trilhos,as casinhas bem ao longe uma das outras... me faziam sonhar também com uma vida melhor.
ResponderExcluirFoi uma grande decisão esta do meu tio , serviu de incentivo á aqueles que também resolveram buscar seus próprios destinos ao invés de esperar pela sorte .
É uma pena que um amigo como Flaviano perdemos o contato .