QUINTO CAPITULO
O trem saiu da estação lentamente e foi pegando o embalo com seu ritmo sincronizado envolvendo os passageiros como quisesse consolar cada um conforme os seus problema, inclusive Egídio que embora estivesse de corpo naquele trem, seus pensamentos estavam na família que deixara para trás.
Como em um filme as lembranças fluíam em sua mente, causando um pequeno mal estar, suas mãos suavam, encostou a cabeça na cadeira do trem e observou as paisagens que passavam rapidamente lá fora, tentava distrair e afastar por enquanto as lembranças. Sabia que seria muito difícil, como esquecer de fatos que marcaram sua infância, momentos alegres, as tardes de domingo onde se reunião na varanda depois do almoço: dona Leonidia fazia seu crochê e Seu Oscar lia e cochilava ao mesmo tempo, enquanto Egídio e seus irmãos brincavam no jardim. Egídio tinha um cantinho especial, onde chorava escondido não queria ver o pai mais abatido, a dor de perder a pessoa que mais amava, ainda estava dentro do peito, com certeza foi o momento mais difícil: a perda da mãe,e o sofrimento do pai para segurar essa situação, as perguntas das crianças, elas não entendiam e queriam saber onde estava sua mamãe? a resposta era sempre a mesma: - Foi para junto de Papai do céu.- e logo vinha outra pergunta: - Quando ela vai voltar papai? Dona Leonidia se foi precocemente deixando um grande vazio, superar a perda da esposa, grande companheira, era quase impossível. Casaram-se muito jovens e lado a lado batalharam para formar uma linda família. Mas a ironia do destino interrompeu os planos de um dia viajarem juntos e tomarem banho de mar, conhecer as praias de Salvador.
De repente tudo mudou, seu pai se tornará um homem triste e reservado dedicava a maioria do tempo a sua profissão (policial civil) e aos filhos, agora era pai e mãe.
A noite era a pior parte, quando todos dormiam batia a tristeza com lembranças de momentos felizes que sabia não voltariam mais e para aliviar a dor na alma que parece uma ferida aberta que só o tempo e Deus poderia cicatrizar. Seu pai ia para varanda onde havia duas cadeiras de balanço, lugar preferido de dona Leonidia,e ficava olhando o céu, conversando com DEUS procurando resposta para morte prematura da sua companheira. Para aliviar a saudade, Oscar escrevia lindos poemas, que Egídio gostava de ler,achava muito bonito, admirava a inteligencia do pai, por isso tinha escolhido um poema como recordação, e começou a ler no trem.
A cada estação que passava mais próxima ficava o destino do jovem, que ia começar uma nova jornada sem a proteção do pai.
Tremeu só de pensar!
-Será que tomará a decisão certa?
CONTINUA...
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