OITAVO CAPITULO
Já acomodado em um quarto da pensão,respirou aliviado, o ambiente era simples sem nenhum luxo, mais muito limpo,cheirando a flores silvestres,curioso correu para abrir uma janelinha pintada de azul,ficou surpreso ao notar a coincidência, as arvores e flores pareciam muito com o quintal da sua casa, isso o fez se emocionar e pensar no pai e seus irmãos, sacudiu a cabeça para afastar os pensamentos. Uma cama de solteiro forrada com lençóis amarelos ficava perto da janela, Egídio sentou e automaticamente abriu sua mala e começou a tirar os poucos objetos que trouxera,e sem pressa foi arrumando as roupas em uma cômoda com três gavetas, no fundo da mala achou os livros que escolheu na estante do pai, arrumou em cima da comoda e sentido-se cansado encostou a cabeça no travesseiro e observou as nuvens no céu que pouco a pouco formavam figuras que ele tentava decifrar, que maravilha! falou baixinho e pensou como pode uma pessoa duvidar da existência de DEUS, pensou no pai e como era muito admirador da natureza, seu Oscar era muito sensível ficava horas e horas sentado na varanda bem cedinho só para escutar o canto dos pássaros, ou para ficar um pouco sozinho antes dos filhos acordar e começar a correr pra cima e pra baixo para caçar passarinhos coisa que seu Oscar não gostava, quando não era isso eu e meus irmãos tentavairritar nossa irmã Noêmia a única filha mulher entre quatro filhos homens, quando ela estava lendo algum romance de príncipes encantados, ela possuía o mesmo dom do nosso pai: amava ler, muitas vezes trancava a porta do quarto tentado ler sossegada, Egídio suspirou pensando o que estariam fazendo seus irmãos nessa hora, com certeza reunidos na cozinha saboreando a sopa do papai.
O lugar que mais gostava era o pequeno riacho que nos finais de semana costumavam ir tomar banho e jogar bola, nunca na vida passaria por sua cabeça sair daquele lugar, mas infelizmente ou felizmente não sei, precisamos tomar decisões, que pode fazer a diferença em nossa vida, e era o que estava acontecendo com Egídio naquele momento.
As lágrimas teimavam em querer rolar pelo seu rosto: -Não posso voltar atras.- pensou alto, como para espantar as lembranças, pegou um livro com capa amarelada pelo tempo, escrito poemas, quando abriu o livro uma folha de papel dobrada, curioso leu, era mais uma poesia de senhor Oscar:
Oscar Pereira
A um AnjoBendito sejas, meu dourado sonho,
Doce ideal do meu viver de dor;
Céu em que minhas esperanças ponho,
Deusa a quem voto imaculado amor!
Bendita sejas, terna virgem pura,
Dilecta filha divinal de Deus,
Luz que me aponta a estrada da ventura,
Éden formoso dos sonhares meus!
Bendito sejas meu fanal brilhante,
Ingênuo arcanjo que do céu me veio,
trazendo amor no olhar purificante,
Amor trazendo no virgíneo seio!
Prefiro a terra de armaguras tristes,
Ao venturoso céu donde viestes,
Porque é na terra que tu hoje existes,
Imaculado querubim celeste.
já que deixas o trono do Senhor
Para, entre as flores, habitar na terra,
vem aos meu braços, que te dou o amor
Imenso e infindo que minha alma encerra.
Esse poema ele fez quando a filha Noêmia nasceu, foi muita alegria pra família, linda, e saudável, o poema chama-se " A um anjo". Terminando a leitura, caminhou até a janela observou o grande o movimento de pessoas , carros e o bonde que passava pelos trilhos levando as pessoas para casa, enquanto as luzes no poste se acendiam uma após as outras .
Egidio se deu conta que precisava escrever para o pai , tinha que tranquiliza-lo, com certeza estava preocupado , podia imaginar seu pai orando e pedido a Deus que livrasse o filho do mal , e foi o que aconteceu, pegou papel e caneta e com rapidez tranquilizou o pai, prometendo que daria noticia com frequência. Muito cansado pela viagem emocionante, adormeceu pensando no encontro com Flaviano , estava ansioso...
CONTINUA...
Prima este poema foi escrito por nosso avô Oscar em : 04/07/1931 em homenagem a minha mãe Noêmia Pereira dos Santos que contava com 25 dias de nascida. Portanto Tia Detinha ainda não era nascida pois nasceria em 1936. Tenho o caderno com o original em mãos. Se quiser o poema de Detinha eu tenho, cujo titulo é Recordação de 11/06/57.
ResponderExcluir