segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

"LIVRE- ARBÍTRIO!"



Eram quatro horas de uma manhã chuvosa de segunda-feira, e as luzes da cidade já estavam acessas, os funcionários da   padaria da esquina já trabalhavam, pois o cheiro de pão fresquinho se espalhava pelo prédio onde Nice morava. Ela enrolada ao cobertor olhava  pela janela imaginando como faria para entregar aquela carta a Egídio que com certeza  destruiria o sonho do rapaz. A situação era
complicada quando deveria ser uma coisa simples, ora, se duas pessoas se amavam e querem ficar juntas, ninguém deveria interferir, se irá dá certo ou não isso é problema de cada um, só Deus com Sua sabedoria possui o dom de saber o futuro, e mesmo assim nós dá o livre arbítrio para tomamos a nossas decisões.
Em quando isso Seu João que também já estava de pé, preparava seu café, o vento forte entrava pela janela que ele esqueceu de fechar, o solitário homem estava cansado daquela vida monótona, faziam cinco anos que sua esposa o abandonara por o achar causador do desaparecimento do seu único filho, depois de uma discussão entre os dois, o rapaz fugiu  de casa , e vivia na esperança que um dia ele retornasse. Foi até a janela a chuva molhou o seu rosto mas ele  nem se incomodou, só imaginava onde estaria Rafael seu filho desse momento? será que estava aquecido? enxugou o rosto e pensou: como seria bom recomeçar sua vida ao lado de Nice que ressuscitou o seu desejo de amar de novo, e quando foi a procura  da moça  para declarar os seus sentimentos, não imaginava que Egídio, o rapaz que aprendeu a gostar como filho, estivesse envolvido em uma historia de amor tão bonita, mas proibida pela diferença social.
Egídio não tinha ideia que seu grande amor estava por um fio, ainda deitado se espreguiçou e brincou com Flaviano, que preparava sua maleta para uma pequena viagem, da inauguração de uma ponte em um subúrbio onde prestava serviço.
- Se eu pudesse eu não iria trabalhar hoje, minha vontade é procurar Elizabeth esclarecer tudo e leva-la pra Mata de São João para conhecer meu pai, tenho certeza que o velho Oscar ia gostar muito da minha Elizabeth, meu pai é um homem especial diferente do meu sogro.
- Levanta rapaz! Seu João precisa de você na oficina, vá com calma, há tempo pra tudo.- Falou o amigo já pronto para pegar o trem das seis horas e tinha certeza que Marly  já estava na estação para se despedir dele, era sempre assim quando tinha que viajar, ela ficava muito triste, e Egídio comentou:
- É sempre triste a despedida, por isso escrevi para meu pai contando tudo, e o convidei para vim passar uns dias com a gente, você se incomoda? -  Perguntou Egídio ao amigo. - Flaviano olhou para o amigo com carinho se aproximou da cama onde o rapaz estava deitado, e disse:
- Você  é como um irmão para mim, e sua família é bem vinda, essa casa é nossa, até eu me casar é claro! -  Flaviano já pronto pegou a maleta apertando a mão do amigo e falou:
- Até a volta Didi, toma conta da casa, e não faça nenhuma  besteira, certo?-  Egídio pulou da cama abraçou o amigo e disse:
-Você parece meu pai falando, igual a um velho de setenta anos.-  Os dois riram.
Pouco distante dali Seu João estacionou o carro em frente a oficina, suspendeu as portas de zinco, e sem pressa começou a organizar as ferramentas que estavam espalhas no canto da parede, tinha muito serviço pra fazer, mas resolveu esperar Egídio, queria preparar o jovem  para o encontro que iria acontecer durante o almoço.
Nice combinou um encontro com Seu João para conversarem com Egídio num restaurante conhecido como " Grande Ponto" que ficava no mesmo quarterão,  lá ela entregaria a carta que iria decidir o final da historia.
- Bom dia meu velho! O domingo foi cansativo? Com esse tempo quase não venho trabalhar,.- Brincou Egídio ao ver Seu João.
-Estava te esperando, sente aqui , quero conversar com você.- Falou o homem muito serio.
- Que cara é essa? Quem morreu?- Brincou o jovem tentando descontrair o ambiente.
- Ninguém, quero falar sobre você e Elizabeth.- Falou Seu João, notando a mudança no semblante do jovem amigo que assustado perguntou :
- O que aconteceu com ela ?-  Seu João procurava as palavras certas para iniciar a conversa, e disse:
- Ontem, quando fomos na casa de Elizabeth, em busca do endereço de Nice e você viu ela conversando com o doutor, você ficou chateado e foi embora... -  Sem deixa o homem terminar, Egídio interrompeu:
- E o senhor acha que estou errado? O medico gosta de Elizabeth. -
- Mas ela não gosta dele, ela gosta de você.-
- E como o senhor sabe ? -  Egídio perguntou quase gritando.
- Vamos almoçar com Nice e  ela te explica melhor.-
Nice era uma excelente costureira e atendia suas clientes em um pequeno atelier na mesma rua onde morava, uma moça  experimentava um vestido de noiva que Nice havia costurado, e se olhava orgulhosa no espelho com um sorriso de felicidade, e perguntou sem perceber a ansiedade de Nice:
-Você não acha que é preciso apertar um pouco na cintura?- O que Nice queria era fechar sua loja para ir ao encontro que tinha marcado com Seu João e respondeu :
- Realmente, vou fazer isso quando voltar do almoço, e amanhã você experimenta com mais calma.- A jovem ficou um pouco decepcionada, mas respondeu conformada:
- Tudo bem, amanhã eu venho mais cedo.- Dobrou o vestido com cuidado e saiu rapidamente.
Faltavam cinco minutos para as doze horas quando Nice atravessou a rua apressada para pegar um táxi que  esperava na fila, assim que entrou deu o endereço ao motorista onde Seu João e Egídio esperavam ansiosos, os dois  bebiam um refrigerante  sem tirar os olhos da rua que estava movimentada pro causa do horário do almoço. O cheiro da comida exalava o restaurante e Pepe (o dono do estabelecimento) se aproximou sorrindo como sempre e perguntou:
- Já fizeram seus pedidos? -  Olhando para Egídio, que balançou a cabeça negativamente, Seu João falou:
- Mais tarde Pepe,nós estamos esperando uma pessoa, obrigado.-  Não demorou muito Nice apareceu na entrada no restaurante, e percorria com os olhos procurando Seu João que vendo-a, acenou  com a mão  a chamando para onde eles estavam, Seu João em pé esperou até Nice chegar e falou:
- Bom dia Nice, é bom te ver.-  Emocionado ao ver aquela mulher madura, bonita e elegante e cada vez que a via tinha certeza que a queria como esposa para juntos restaurarem suas vidas.
- Espero de todo coração que seja um bom dia para todos nós!- Respondeu Nice esperançosa.



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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

QUEM CRÊ NÃO FOGE



 Egídio estava muito nervoso, não aceitava o fato de encontrar Elizabeth de papo com o dr.Eduardo aquela hora da manhã,   Marly tentava acalmar o rapaz:
- Calma, não é dessa maneira que você vai resolver o problema, deve haver uma explicação- Marly que foi a casa do noivo para arrumar a bagunça do aniversario do dia anterior, e encontrou o noivo aos berros:
- Que ideia idiota de me apaixonar por uma garota rica e mimada, O melhor a fazer é volta pra meu mundo, amanhã mesmo volto a Mata de São João.- Falou Egídio.
- Deixe de ser criança, e procure Elizabeth para conversar.- Flaviano procurava tirar aquela ideia da cabeça do amigo, mas ele estava muito nervoso, abria o guarda roupa tirando tudo e jogava em cima da cama.
- Se ela pensa que eu sou idiota, está muito enganada, tem nove meses que ela me enrola dizendo que não quer nada com o doutorzinho, e pego eles conversando como  dois pombinhos.-
-E agora vai fugir, deixando para trás tudo que conquistou, e nós? Seus amigos que sempre te apoiaram, não merecemos consideração? -  As palavras de Flaviano foram como uma bofetada com luva de pelica.
Egídio parou de repente, sentou na beira da cama e envergonhado com olhos  molhados de lagrimas disse:
- Como posso ser ingrato com vocês? nunca em toda minha vida vou pagar o que fizeram por mim. Abriu as portas das suas vidas e me recebeu, sem me conhecer, e Marly que arranjou meu primeiro emprego e aprendi a ser um profissional com Seu João que passou a ser como um pai pra mim. -  Marly aproveitou aquele momento e falou:
- E agora por causa de um fato que você nem sabe se é verdade, vai fugir?- E o amigo continuou:
- Em um relacionamento se não há confiança não há amor, você não ama essa moça.-
- Amo sim, já gostei de muitas moças, mas agora é diferente, por isso estou sofrendo.-
- Quem ama acredita meu amigo e " Quem crê não foge", dê uma chance a vocês dois.
O jovem respirou fundo e murmurou :
- Tenho medo de encarrar a realidade, e se Elizabeth disser que não me quem ama.- disse o jovem.
- Se  você não conversar não vai saber, pior que tudo é a duvida , e se não dê certo a vida continua.-
A noiva de Flaviano em pé na porta observava o noivo com orgulho, ela admirava aquele homem de coração puro e leal, muito raro de se encontrar hoje  em dia e aproximou-se do noivo, abraçando-o falou:- Nada na vida  é fácil , e nós lutamos muito para chegar até aqui, né amor?-  Flaviano correspondendo ao abraço de Marly disse sorrindo:- Essa garota aqui me deu muito trabalho para conquista-la , era muito orgulhosa e cheia de vontade,
tive que soar a camisa. Não foi querida?  Egídio estava mais calmo e os trés riram muito.
- Me ajudem  a arrumar essa bagunça e depois vamos almoçar lá em casa, meu pai preparou um almaço especial e está me esperado.- Convidou Marly saindo do quarto .
O carro de Seu João estacionou em frente da casa de Elizabeth , Nice muito preocupada falou:
-Vou falar com Betinha, posso demorar, não precisa me esperar.-
- Não tenho presa ,vou fazer um lanche lá naquela cantina depois quero falar sobre nós dois certo?
O homem não queria ir embora sem falar dos seus sentimentos, e Nice sabia disso, respondeu:
- Combinado, obrigada por tudo - Chamou o filho que dormia do banco do fundo, saíram do carro.
O portão estava encostado e Nice entrou atravessando o jardim e tocou a campainha da porta.
- Dona Nice que surpresa, veio visitar Seu Albino? - perguntou Mariana .
- Por que? aconteceu alguma coisa com ele?- Perguntou a moça assustada.
-Ele passou muito mal a noite e Betinha está com ele no quarto-
- Ele pode receber visitas?- perguntou Nice colocando o filho no sofá ainda sonolento.
- Pode ir, Ah! diga a Betinha que o Almoço está pronto. -
Mesmo a porta aberta, Nice bateu de leve e só entrou quando ouviu a voz da amiga:
- Pode entrar.-
Quando viu que era Nice, Elizabeth sorriu feliz, abraçando-a falou:
- Que bom te ver, preciso muito conversar com você.-
- Como está Seu Albino? Nice olhou para o "doente" que dormia.
- Está bem,  vamos lá fora, quero tomar um ar. -
- Mariana disse que o almoço está pronto- Avisou Nice
-Estou sem fome e você já almoçou? Perguntou Betinha para a amiga.
- Não, mas comi um cachorro quente e estou sem apetite, Vamos conversar?- Perguntou Nice preocupada com aparência da amiga, o rosto abatido com olheiras acentuadas.
- É  melhor ir  para o meu quarto, quero te mostrar uma coisa.- As amigas caminharam pelo longo corredor em silencio. Assim que entraram no quarto Betinha pegou um livro tirou um envelope e com as mãos tremulas entregou para amiga dizendo:
- Quero que você entregue essa carta para Egídio -  Nice pegou a carta e perguntou já sabendo a resposta :
- O que significa isso?
- Quero que ele se afaste de mim não é justo fazer-lo sofrer por um amor impossível.-  Era para Nice ficar feliz, pois ela gostava muito do Dr.Eduardo e queria ver os dois juntos mas ao notar o sofrimento da amiga percebeu que era amor verdadeiro, e determinada disse:
- Não vou fazer isto, porque você não luta por esse amor?- Nice estava nervosa, não imaginava que era tão serio, continuou tentando mudar o rumo da historia, e disse:
- Egídio esteve aqui pela manhã e viu você conversando com Eduardo e está transtornado, e pretende voltar para casa do pai .-   Elizabeth deixou as lagrimas escorrerem pelo rosto,falou:
- Melhor assim!



quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

"VIDAS EM RODA GIGANTE!"



Um carro estacionou em frente a um prédio antigo, um homem desceu e se dirigiu a portaria, um velho de bigode grisalho e  uniforme azul   lia um jornal enquanto saboreava um cafezinho sem notar a presença do visitante, que educadamente interrompeu a leitura do porteiro: 
-Por favor, o senhor poderia me informar se esta pessoa reside aqui?  - levantou a cabeça rapidamente e foi até o balcão de madeira para verificar o nome que estava escrito no papel, depois olhando desconfiado para o homem perguntou:  
- Ela mora aqui sim senhor, mas não posso deixar o senhor subir sem saber o seu nome.
 -Tudo bem, me chamo João, olha aqui minha identidade. - tirando o documento da carteira mostrou ao porteiro que olhava com atenção, quando uma voz feminina interrompeu o interrogatório:  
- Sr.João! Que coincidência. -
 Nice descia a escada segurando o filho pela mão, quando reconheceu o homem, e se aproximou surpresa.
O homem tomou um susto, como se tivesse sido pegado em flagrante, e pálido virou a cabeça em direção a dona da voz, que fez seu velho coração bater tão forte igual a um adolescente de dezoito anos e gaguejando falou: 
- Ah! Senhorita Nice, não, não é coincidência eu precisava te ver. -
- Aconteceu alguma coisa?  Perguntou a moça apreensiva.
- Mais ou menos, na verdade eu preciso conversar sobre Egídio e a senhorita Elizabeth - Mentiu para disfarçar o sentimento que começava a sentir por Nice.
 Rafael o filho de Nice olhando para mãe perguntou inocente:
-Mamãe esse moço é meu titio?  Nice respondeu sorrindo:
- Esse é Sr. João amigo da tia Betinha, vou levar o Rafa ao parque, quero aproveitar o domingo. - O semblante do homem entristeceu por um instante, mas de repente uma luz:
-Posso participar do passeio? - 
- Claro, será um prazer, não é Rafa?- Os três atravessaram a rua em direção a uma pracinha que ficava em frente ao prédio.
O dia está perfeito, o sol brilhava iluminando o domingo, e as crianças corriam de um lado para o outro disputando a gangorra, o balanço a roda gigante etc. Uma fila de crianças esperavam sua vez de comprar seu cachorro quente, Nice deu uma olhada em sua volta procurando um lugar com sombra para se sentar, viu um banco em baixo de uma arvore:
-Ali está ótimo! - Assim que sentaram Rafael perguntou:
- Mamãe posso ir ao balanço? -
-Pode, mas tome cuidado - Nice esperou o menino se afastar e disse:
- Agora pode me falar o que está acontecendo?- Sr.João respirou fundo:
- Ontem, na festa de Marly, eu que recebi um presente - Nice já estava entendendo, mas preferiu perguntar:
-E qual foi esse presente?-
- Você! Abrir meu coração sobre meu filho desaparecido, e a angustia que me acompanha a muito tempo , e você me disse: Tenha fé ele vai aparecer.  E nasceu uma nova esperança.
Com o rosto corado Nice parecia uma adolesceste, estava viúva a três anos, e nunca mais se interessou  por ninguém.
- Pela manhã fui à casa de Egídio pedir seu endereço -
- Mas ele não sabia- Falou Nice preocupada.
- Foi ai que resolvemos ir à casa da senhorita Elizabeth. -
- Meu Deus! vocês não deviam ir lá!- falou Nice preocupada.
- Quando chegamos vimos Elizabeth conversando com jovem medico, Egídio ficou nervoso e disse: Que não era bobo que ia resolver de uma vez por todas e saiu sem esperar por mim. - Disse seu João.
Nice conhecia a amiga e sabia que havia algo errado, e falou:
- Vou chamar um táxi e vou lá agora, Betinha precisa de mim. -
- Não é necessário, eu estou de carro te levo lá agora. -Disse seu João
- Nice chamou o filho, e os três entram do carro e partiram.
Nice conhecia sr. Albino, e sabia do amor possessivo que nutria pela filha, e o desejo de ver Elizabeth casada com o dr. Eduardo. 
- Vamos sr. João, minha amiga está em apuros! - disse Nice preocupada.