segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

QUEM CRÊ NÃO FOGE



 Egídio estava muito nervoso, não aceitava o fato de encontrar Elizabeth de papo com o dr.Eduardo aquela hora da manhã,   Marly tentava acalmar o rapaz:
- Calma, não é dessa maneira que você vai resolver o problema, deve haver uma explicação- Marly que foi a casa do noivo para arrumar a bagunça do aniversario do dia anterior, e encontrou o noivo aos berros:
- Que ideia idiota de me apaixonar por uma garota rica e mimada, O melhor a fazer é volta pra meu mundo, amanhã mesmo volto a Mata de São João.- Falou Egídio.
- Deixe de ser criança, e procure Elizabeth para conversar.- Flaviano procurava tirar aquela ideia da cabeça do amigo, mas ele estava muito nervoso, abria o guarda roupa tirando tudo e jogava em cima da cama.
- Se ela pensa que eu sou idiota, está muito enganada, tem nove meses que ela me enrola dizendo que não quer nada com o doutorzinho, e pego eles conversando como  dois pombinhos.-
-E agora vai fugir, deixando para trás tudo que conquistou, e nós? Seus amigos que sempre te apoiaram, não merecemos consideração? -  As palavras de Flaviano foram como uma bofetada com luva de pelica.
Egídio parou de repente, sentou na beira da cama e envergonhado com olhos  molhados de lagrimas disse:
- Como posso ser ingrato com vocês? nunca em toda minha vida vou pagar o que fizeram por mim. Abriu as portas das suas vidas e me recebeu, sem me conhecer, e Marly que arranjou meu primeiro emprego e aprendi a ser um profissional com Seu João que passou a ser como um pai pra mim. -  Marly aproveitou aquele momento e falou:
- E agora por causa de um fato que você nem sabe se é verdade, vai fugir?- E o amigo continuou:
- Em um relacionamento se não há confiança não há amor, você não ama essa moça.-
- Amo sim, já gostei de muitas moças, mas agora é diferente, por isso estou sofrendo.-
- Quem ama acredita meu amigo e " Quem crê não foge", dê uma chance a vocês dois.
O jovem respirou fundo e murmurou :
- Tenho medo de encarrar a realidade, e se Elizabeth disser que não me quem ama.- disse o jovem.
- Se  você não conversar não vai saber, pior que tudo é a duvida , e se não dê certo a vida continua.-
A noiva de Flaviano em pé na porta observava o noivo com orgulho, ela admirava aquele homem de coração puro e leal, muito raro de se encontrar hoje  em dia e aproximou-se do noivo, abraçando-o falou:- Nada na vida  é fácil , e nós lutamos muito para chegar até aqui, né amor?-  Flaviano correspondendo ao abraço de Marly disse sorrindo:- Essa garota aqui me deu muito trabalho para conquista-la , era muito orgulhosa e cheia de vontade,
tive que soar a camisa. Não foi querida?  Egídio estava mais calmo e os trés riram muito.
- Me ajudem  a arrumar essa bagunça e depois vamos almoçar lá em casa, meu pai preparou um almaço especial e está me esperado.- Convidou Marly saindo do quarto .
O carro de Seu João estacionou em frente da casa de Elizabeth , Nice muito preocupada falou:
-Vou falar com Betinha, posso demorar, não precisa me esperar.-
- Não tenho presa ,vou fazer um lanche lá naquela cantina depois quero falar sobre nós dois certo?
O homem não queria ir embora sem falar dos seus sentimentos, e Nice sabia disso, respondeu:
- Combinado, obrigada por tudo - Chamou o filho que dormia do banco do fundo, saíram do carro.
O portão estava encostado e Nice entrou atravessando o jardim e tocou a campainha da porta.
- Dona Nice que surpresa, veio visitar Seu Albino? - perguntou Mariana .
- Por que? aconteceu alguma coisa com ele?- Perguntou a moça assustada.
-Ele passou muito mal a noite e Betinha está com ele no quarto-
- Ele pode receber visitas?- perguntou Nice colocando o filho no sofá ainda sonolento.
- Pode ir, Ah! diga a Betinha que o Almoço está pronto. -
Mesmo a porta aberta, Nice bateu de leve e só entrou quando ouviu a voz da amiga:
- Pode entrar.-
Quando viu que era Nice, Elizabeth sorriu feliz, abraçando-a falou:
- Que bom te ver, preciso muito conversar com você.-
- Como está Seu Albino? Nice olhou para o "doente" que dormia.
- Está bem,  vamos lá fora, quero tomar um ar. -
- Mariana disse que o almoço está pronto- Avisou Nice
-Estou sem fome e você já almoçou? Perguntou Betinha para a amiga.
- Não, mas comi um cachorro quente e estou sem apetite, Vamos conversar?- Perguntou Nice preocupada com aparência da amiga, o rosto abatido com olheiras acentuadas.
- É  melhor ir  para o meu quarto, quero te mostrar uma coisa.- As amigas caminharam pelo longo corredor em silencio. Assim que entraram no quarto Betinha pegou um livro tirou um envelope e com as mãos tremulas entregou para amiga dizendo:
- Quero que você entregue essa carta para Egídio -  Nice pegou a carta e perguntou já sabendo a resposta :
- O que significa isso?
- Quero que ele se afaste de mim não é justo fazer-lo sofrer por um amor impossível.-  Era para Nice ficar feliz, pois ela gostava muito do Dr.Eduardo e queria ver os dois juntos mas ao notar o sofrimento da amiga percebeu que era amor verdadeiro, e determinada disse:
- Não vou fazer isto, porque você não luta por esse amor?- Nice estava nervosa, não imaginava que era tão serio, continuou tentando mudar o rumo da historia, e disse:
- Egídio esteve aqui pela manhã e viu você conversando com Eduardo e está transtornado, e pretende voltar para casa do pai .-   Elizabeth deixou as lagrimas escorrerem pelo rosto,falou:
- Melhor assim!



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