sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

A CILADA




Três semanas se passaram e Marly estava toda feliz,afinal o seu noivo chegaria de viajem, ela nem conseguiu dormir direito, só pensando em Flaviano.
Colocou a musica preferida do casal e em quanto escutava a melodia arrumava a casa, queria prepara um almoço especial para seu amado. A sirene da porta tocou, despertando a moça para realidade, correu para saber quem estaria ali aquela hora da manhã:
- Bom dia Marly, espero que não tenha te acordado. -  Era Seu João acompanhado de Nice.
- Bom dia, já estava acordada, vou buscar Fláviano na estação, o trem chega ás onze horas.- Respondeu Marly
- Essa é Nice, se lembra dela? Esteve no seu aniversario. - Falou Sr..João abraçado Nice.
- Claro, vamos entrar, Papai já saiu.- Respondeu Marly, pensando que o homem estava procurando o pai.
- Eu sei, deixei ele na oficina com Egídio, eu quero falar com você. - Respondeu S.João sorrindo.
- Meu Deus, o que houve? Fale logo. -  Marly ficou nervosa, pensando em Fláviano.
- Calma! Só queremos sua colaboração, para elaborar uma festa.- Respondeu o homem.
- Uma festa?Para quem? e onde? -  Perguntou Marly sem entender nada. Dessa vez foi Nice que respondeu.
- Eu sou amiga de Elizabeth, no dia cinco é o seu aniversario, nós queremos fazer uma surpresa .-
- E como eu posso ajudar? Elizabeth é a namorada de Egídio? -  Marly tentava entender.
- Essa festa é justamente para ajudar a minha amiga a se acertar de uma vez cm Egidio.- Acrescentou Nice.
- Então pode contar comigo,diga, como  posso ajudar?.- Marly adorava festas.
- Queremos que você organize essa festa para sábado, e diga quanto é necessário para um jantar romântico.-
S.João estava muito diferente do homem que era antes de conhecer Nice, os dois estavam namorando e Nice prometeu ajuda-lo a encontrar o filho Rafael que por uma coincidência tinha o mesmo nome de seu filho.
- Onde vai ser o grande jantar?-  Perguntou Marly animada.
- Se possível queria que fosse aqui em sua casa Marly, por um motivo muito grave, - Falou sr.João muito serio.
- Claro que é possível, minha casa está a disposição, só preciso saber que motivo grave é esse? - Perguntou Marly.assustada.
- Estamos desconfiado que sr. Albino o pai de Elizabeth. Essa semana viram  dois homens estranhos rondando a oficina, e ontem um dos homens foi consertar um carro, e queria saber quem era Egídio, perguntei o porque do interesse e ele disse que alguém o tinha recomendado e dito que Egídio era um bom mecânico, e foi embora sem consertar o carro.-  Disse S.João preocupado com o amigo.  Marly ficou pensativa por alguns minutos, os três ficaram calados e depois Marly perguntou:
- Egidio está correndo perigo? - Antes de responder, o homem se levantou foi até a janela olhou para fora, contemplou a linda manhã que estava aquele dia, e se voltando para as mulheres que pareciam assustadas respondeu:
- Sinceramente eu não sei, mas não quero correr o risco, por isso prefiro fazer a festa aqui, é mais seguro porque é um condomínio fechado.
- Eles tem direito de seres felizes, então vamos fazer a festa aqui , e viva o amor! - Falou Marly levantando as mãos sorrindo e mudando o clima tenso.
Depois que acertaram os detalhes para o aniversario de Elizabeth o casal saiu abraçadinho, pareciam dois adolescentes, Marly ficou parada olhando com admiração, e pensou: "o amor faz milagre", entrou correndo para se arrumar, tinha que chegar na estação ás dez horas.
- Oh! meu DEUS vou chegar atrasada a essa hora o trem já chegou. falou Marly fechada a porta., .
Flaviano desceu do trem, percorreu com os olhos  procurando a noiva, decepcionado se dirigiu para saída, Quando uma que conhecia muito bem:
- Pensou que ia se livrar de mim, meu amor? Nunca! - Marly se escondeu, sempre brincalhona apareceu de repente surpreendendo o noivo, que feliz  a abraçou, beijando com muito carinho.
Era hora do almoço e distraída Elizabeth fazia um lanche na catina do hospital e nem notou a chegado de   Nice que olhava para amiga com muita pena e falou:
- Essa não é a Betinha que eu conheço, que cara é essa?  Levantando a cabeça, quando viu a amiga o sorriso apareceu nos lábios da moça, que disse:
- Ah! graças a Deus, Preciso muito falar com você minha amiga.- Ficando de pé abraçou Nice que olhou para o prato da moça e disse determinada:
- Eu vim para almoçar com você e não vou comer sanduíche, e você não vai comer isso.-
- Estou sem apetite, mas eu peço seu prato preferido: frango grelhado - brincou Betinha.
- Antes de almoçar quero falar sobre Egídio.-  Nice falou com a voz mais baixa.
- Você o viu? Como está ele? Me diga logo.-  Perguntou a enfermeira apreensiva.
- Você tá sabendo que eu e João estamos namorando não sabe? - perguntou Nice um pouco sem graça.
- Claro, e fico muito feliz por vocês.- Respondeu Elizabeth segurando a mão da amiga.
-  Eu e João almoçamos com ele a semana passada, gostei muito dele, é educando , inteligente e esforçado.
João falou que ele aprendeu rápido o serviço na oficina. - Disse Nice.
- Porque você está me dizendo tudo isso? Isso eu já sei, eu amo Egídio! Elizabeth desabafou.
- Não parece, porque mandou aquela carta para ele, isso é amor?- Nice provocou.
- Para protege-lo, não quero que nada de mal aconteça com ele.- Falou a moça com tristeza.
- E você já perguntou a ele se quer ser protegido, todo homem tem direito de decidir seu próprio destino.
Em quanto isso na oficina, Egídio descansava do almoço deitado no banco do carro que estava consertando ouvia uma musica no seu rádio de pilha. Uma voz de homem o despertou:
- Ei rapaz! Queremos falar com você, levanta! - Dois homens  estavam diante dele.
- O que vocês querem? -  Perguntou o rapaz.
- Meu carro quebrou logo ali, pode me ajudar? - Um dos homens explicou.
- Claro, um momento. - Falou Egidio, e gritou para o pai de Marly:
- S.Ramos vou resolver um problema, e volto já!- Egídio saiu com os homens.
Meia hora depois S. João apareceu na oficina cumprimentou S.Ramos, vestiu o macacão.
- Onde está Egídio?-  Perguntou sr..João notando a falta do jovem.
- Saiu tem meia hora para fazer um serviço.- Respondeu S. Ramos.
- Em que lugar? - S. João perguntou preocupado.
- Não sei,  não conheço os homens, são novos clientes.-
- Meu Deus, proteja Egídio ! Falou o homem correndo até a porta da entrada com a esperança de encontrar o rapaz, seu coração persentia o pior!


 
                                                                                         CONTINUA...


sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

OLHO NO OLHO!



Era uma hora da tarde, a sala de espera do hospital estava cheia, no rosto de algumas pessoas, uma fisionomia de cansaço e ansiedade  demonstrava que sua saúde não estava bem
 Uma senhora forte, de óculos na ponta do nariz,  sentada em uma carteira junto a porta da sala,  organizava as fichas por ordem de chegada.
Elizabeth dentro da sala esterilizava os matérias hospitalares para atender os pacientes naquela tarde, apesar de fazer tudo com muito cuidado, em sua cabeça os pensamentos se confundiam e ela procurava entender o que estava acontecendo com sua vida, uma voz  interrompeu os seus pensamentos:
- Bom dia Elizabeth! - Era Dr. Paulo Maia ,um senhor de meia idade, muito simpático, que atendia com alegria os seus pacientes, Betinha já trabalhava com ele a dois anos e se entendiam bem:
- Bom dia doutor, já está tudo pronto, podemos começar? - Elizabeth queria sair mais cedo, estava preocupada com o pai e pretendia conversar com ele para tranquiliza-lo e fazer como sempre o que ele queria.
- O que houve? Estou achando você preocupada.-  perguntou o medico.
-  Meu pai não passou bem a noite, mas já está melhor. -
-  Só isso mesmo? O doutor não acreditou muito.
- Só, vou pegar as fichas com a atendente. -  E saiu, não queria conversar.
A tarde transcorreu tranquila, todos os pacientes foram atendidos e medicados com carinho e ás quatro horas a sala estava vazia, só a moça da faxina fazia a limpeza cantarolando baixinho.
- Você está liberada, vá descansar. - Falou o Dr. Paulo olhando para enfermeira que recolhia as fichas da mesa com rapidez.
- Só vou terminar aqui, e já vou, preciso ver meu pai.- Respondeu Elizabeth sem olhar para o medico.
Chegou em casa mais cedo, abriu a porta e foi direto ao quarto do pai, e para sua surpresa a cama estava vazia, sentiu um aperto no coração e saiu chamado:
- Mariana, onde está você? - Enxugando as mãos no avental, a governanta apareceu:
- O que aconteceu menina? - Mariana estava assustada.
- Onde está meu pai ?- Betinha só pensava no pior.
- Acordou cedo, tomou café e disse que precisava sair. -
-E você deixou ? -  Elizabeth estava chateada.
- E eu ia fazer o que? Você conhece Seu Albino, é teimoso e não adiantava nada eu falar.
Elizabeth foi para o quarto tomou um banho, trocou de roupa e voltou para sala.
- Vou trazer um lanche pra você. - Ofereceu Mariana .
- Não estou com fome, vou esperar meu pai lá fora.-Falou Betinha com rosto sério.
O vento balançava as folhas da velha árvore e a brisa do final da tarde provocava uma sonolência, sentada em uma cadeira de balanço fechou os olhos tentando relaxar. Um carro entrou na garagem, era o velho Albino, que vendo a filha tão cedo em casa perguntou surpreso:
- Tudo bem filha? Tão cedo em casa?- O pai parecia sem graça.
- Onde o senhor foi? Pensei que estava doente. - A filha perguntou já de pé.
- Já estou melhor, e fui levar o carro na oficina, por que está com essa cara?-  Seu Albino estava sem jeito.
- É estranho! Deixo o senhor de cama, vou trabalhar preocupada, e quando chego em casa o senhor saiu para consertar o carro. -  Olhando para o pai, disse com um tom de voz que não costumava usar.
-Não estou entendendo o seu nervosismo quer me explicar?- Seu Albino não gostou do jeito da filha.
- Preciso conversar com o senhor, não estou suportando mais esta situação.-
- Vamos sentar ali, eu quero saber de tudo.- Falou Seu Albino indicando um banco em baixo da árvore.
- Olha pai, desde que perdi meu irmão não tenho feito outra coisa, se não tentar diminuir a dor e a saudade que ele deixou, mas agora quero ser feliz.- Desabafou Betinha.
- O que é que você quer dizer com isso, que não é feliz?- Falou o pai indignado.
- Não se faça de desentendido, o senhor sabe muito bem do que estou falando. Eu tenho o direito de escolher com quem quero casar, vou fazer vinte anos para o mês.-
- Você não gosta de Eduardo? Ele é um ótimo partido, gosta de você, e vai te fazer feliz.- Disse o pai.
- O senhor só pensa em dinheiro, gosto de Eduardo como amigo.- Elizabeth  falou.
- Ah! já entendi, você está gostando de outro rapaz .- Falou o pai com ironia.
- Sim, mas pensando do senhor, escrevi uma carta pedindo pra ele se afastar.- Ela falou com tristeza
- Foi melhor assim, um pobre coitado que não tem onde cair morto!.- Seu Albino falou com satisfação.
- Como é que o senhor sabe, mandou investigar?.- Elizabeth já estava desconfiada.
- Claro, eu te amo e só quero o melhor para você filha!-
- Que amor é esse? O amor não é egoísta, pelo contrario pensa na felicidade da outra pessoa.-Sem poder se controlar Elizabeth falou chorando de raiva e ao mesmo tempo tendo pena daquele homem que não entendia nada de amor.
-E você acha que vai ser feliz com um auxiliar de mecânico? Fique sabendo que não vou deixar você fazer essa besteira.- Falou Seu Albino levantando para entrar, mas de repente se voltou e disse:
- Amanhã mesmo vou procurar esse moço, e se ele insistir, vai se arrepender.
- O senhor não pode fazer isso.-  Falou Elizabeth segurando o braço do pai.
- Vamos ver! -                                                                                                        


                               Continua.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

Como prometera a amiga, Nice entregou o envelope a Egídio, que apesar do grande movimento no restaurante, com pessoas que conversavam e riam, o barulho de talheres e copos,  o rapaz lia com atenção a carta sem se incomodar com o que se passava ao seu redor, sua expressão se tornava cada vez mais abatida e apesar de vários ventiladores ligados,o suor escorria pelas frontes do jovem.  Seu João observava  preocupado, se aproximou da cadeira de Nice comentou ao seu ouvido:
-  É muito triste ver uma pessoa que gostamos sofrendo sem poder fazer nada! -
- Quem disse que não podemos fazer nada? Pelos menos vamos tentar.-Disse Nice suspirando profundamente.
-Estou disposto a fazer qualquer coisa para ajudar meu amigo - Falou Seu João apertando de leve a mão de Nice, demonstrando parceria.
- Betinha (é assim que chamava Elizabeth) é como uma irmã pra mim, queria muito que ela ficasse com Eduardo, mas se é de Egídio que ela gosta  então eu vou torcer pela felicidade dos dois.- Nice falou olhando com pena para Egídio.
- Quando tudo isso passar vamos pensar em nós dois. - Ainda segurando a mão da mulher, falou Seu João.
- Você é um homem muito especial, se preocupando com os outros, vamos ter muito tempo para conversar.- Nice era uma mulher determinada e sabia conciliar as coisas.
 Sem perceber que Egidio já tinha terminado de ler a carta onde sua amada tirava qualquer chance de um futuro com ele, deixando claro que não o amava, e pedia que a esquecesse, com raiva se levantou para sair, quando Seu João rapidamente segurou firme pelo braço e disse:
- Você não vai sair assim desse jeito, vamos conversar.-
- Conversar o que? Já sei o bastante, vou cuidar da minha vida. -
- Você não sabe de nada, quer saber a verdade? Senti-se e me ouça.- Nice estava decidida.
Como uma luz no fundo do túnel, foi assim a esperança que surgiu dentro do jovem, que prontamente obedeceu, e com a voz suplicante falou:
- Nice por favor, seja sincera comigo, essa conversa vai ser decisiva.-  Balançando a cabeça ela falou:
- Foi com essa intenção que marquei esse encontro.- Os dois homens olhavam para Nice, que começou:
- Talvez eu pague um preço muito alto, por revelar um segredo que não é meu, mas é por uma causa justa.-
- Pode falar,eu preciso saber de tudo.- Falou Egídio apreensivo.
- Elizabeth tinha um irmão mais velho que ela dois anos, os dois eram muito unidos, viviam brincando o tempo todo e Seu Albino amava demais esse filho  que era carinhoso, inteligente e muito comunicativo, ajudava o pai nos seus negócios,  Seu Albino fazia muitos planos para o rapaz que o acompanhava a todos os lugares onde ia, enfim era o herdeiro do pai.- Nice parou  para beber um pouco de água, sua boca estava seca e continuou:
- Certa manhã quando Seu Albino se preparava para mas um dia de trabalho e esperava o filho, como de costume para o ajudar no comercio que era proprietário.  De repente Betinha desceu correndo a escada e logo atrás o seu irmão brincando tentando passar na frente dela, mas ele perdeu o equilíbrio e rolou pela escada, Betinha ainda tentou segura-lo mas não conseguiu, com a  queda sua coluna foi afetada Seu Albino fez de tudo para salvar o filho, gastou muito com médicos especializados em coluna, pois o rapaz precisava ser operado, ele ficou internado por algum tempo, mas foi tudo inútil, o menino Júlio morreu com apenas desseis  anos, deixando o pai inconformado e Betinha com apenas quatorze  anos  tendo que assumir tudo sozinha se viu sem chão, foi então que Seu Albino decidiu contratar Mariana para ajudar nas tarefas domesticas, além de fazer companhia a jovem menina,  foi Deus que fortaleceu a minha amiga Sr, Albino ficou muito tempo depressivo perdeu a vontade de viver, Elizabeth teve que segurar uma barra com o pai doente.
Por alguns segundos o silencio que era absoluto, que foi interrompido com uma pergunta:
- Quanto tempo tem que isso aconteceu?-  Perguntou Seu João só pra quebrar o silencio.
- Quando eu conheci Betinha a cinco anos atrás, faziam seis meses, por tanto vai fazer seis anos. Me recordo da tristeza profunda que ficou Seu Albino, não queria mas viver, durante muito tempo Betinha lutou para ajudar o pai a superar o vazio que ficou no seu coração.- Falou Nice bebendo mais água.
-É realmente é uma situação muito difícil! eu imagino o sofrimento do sr. Albino,  ela conseguiu ? - Seu João perguntou com tristeza, se colocando no lugar do velho pai.
- Mais ou menos, Seu Albino colocou toda sua expectativa na filha com um amor egoísta, que ela suporta com medo do pai ter uma recaída.-  Respondeu Nice tentando simplificar os fatos.
- Sinto muito, realmente é muito triste, mas não entendi, onde entro nessa história?- Egídio perguntou confuso, e seu rosto demostrava cansaço.
- Se você ama de verdade minha amiga, pode mudar o rumo dessa historia.-
- Me diga como! - perguntou Egídio pensativo.-

         
                                             
continua...