quarta-feira, 30 de maio de 2012

O MUNDO DÁ MUITAS VOLTAS


Depois de uma noite agitada, com muitos pesadelos sem sentido, onde Elizabeth se encontrava perdida, em um lugar estranho, com ruas escuras e sem fim e escutava a voz de Egídio pedindo socorro e chamava por ela, e quanto mais tentava o alcançar não chegava a lugar nenhum, acordou assustada com as batidas na porta do seu quarto:
- Pode entrar. -  respondeu com a voz cansada.
- Betinha, D. Nice mandou avisar que está te esperando lá fora. -   falou Mariana toda desconfiada.
- A mande entrar, em quanto eu me arrumo. -  respondeu Elizabete abrindo as cortinas e deixando os primeiros raios de sol invadir  o quarto e arrancar o frio e peso causado pelos pesadelos de uma longa noite.
- Eu mandei, mas ela disse que prefere esperar no carro com o noivo.E você, não vai trabalhar? – perguntou Mariana curiosa.
- Por que você que saber? É para ir correndo contar a papai?- disse a moça dando uma indireta na empregada.
-  Eu não estou entendendo sua desconfiança comigo, eu sempre cuidei de você,  é natural me preocupar. -    falou Mariana mostrando-se ofendida.
- Quer mesmo saber? Explique-me como meu pai ficou sabendo tudo sobre a vida de Egídio. –
-  Você deveria perguntar pra ele e o Dr. Eduardo Talvez você encontre a resposta –
Respondeu Mariana saindo do quarto rapidamente, parecia aborrecida, deixando Elizabeth  mais confusa do que antes e pensou: Com certeza havia muita coisa por de trás desse historia, mas não era o momento exato, o que importava agora era encontrar Egídio, poder abraça-lo e dizer que estava disposta a tudo para ficar com ele.
- Que demora Betinha! O trem vai chegar às nove horas -   disse Nice abrindo a porta do carro.
- Não está curiosa para conhecer seu futuro sogro?- Perguntou Seu João.
- Claro! Não dormir a noite toda, tevi cada sonho estranho, meu coração está disparado. –
- E Seu Albino falou alguma coisa? – perguntou Nice.
-  Eu não sei até que ponto meu pai está envolvido nessa armação, eu sou sei de coisa uma, já tomei minha decisão.- falou Betinha pensativa.
- Seja qual for a sua decisão, pode contar com sua amiga. - falou Nice.
- Nice, parece que Eduardo está envolvido com papai no caso da chantagem de Egídio. -   falou a jovem demonstrando tristeza.
-  Eu não acredito, conheço Eduardo e sei que ele não seria capaz de uma coisa dessas. Nice falou com surpresa.
- Eu não posso afirmar nada por enquanto, mas garanto que vou desvendar tudo, Tim-Tim por Tim-Tim. -  falou Elizabeth.
- De onde você tirou essa ideia da participação de Eduardo?- falou Nice sem acreditar.
- Mariana fez uma insinuação, mas eu não tenho certeza de nada. –
- Eduardo gosta muito de você, sempre sonhou em um dia casar com você, sinto pena dele. -  Nice tinha uma gratidão muito grande pelo medico, ele a ajudou quando seu filho esteve doente, e muitas vezes ficava dividida entre Eduardo e Egídio, mas o que realmente importava era a felicidade da amiga.
- Não tenho culpa de gostar dele como um bom amigo,só ia casar com ele para agradar papai, mas quando conheci Egídio mudei de ideia.- disse Elizabeth.
- Você sabe que antes de conhecer Egídio, eu torcia pra você casar com Eduardo, mas o mundo dá tantas voltas que eu nem sei explicar. - falou Nice.
- Ninguém manda no coração, digo isso por mim. -  disse Seu João.
- Isso é uma declaração de amor querido? – perguntou Nice toda dengosa.
- Sim, não tinha mais esperança de amar ninguém, você apareceu e me acendeu a vontade de viver, e a esperança de encontra meu filho. -  falou Seu João com uma ponta de tristeza.
- Nós vamos encontrar o seu Rafael, prometo!-  falou Nice determinada.
O carro se aproximava da estação e de longe o barulho de apito do trem anunciava a chegada do Seu Oscar.  Os três apresaram os passos para identificar entre os passageiros o pai de Egídio.  Os olhos de Elizabeth dançavam de um lado para o outro procurando o responsável pela vida do seu amor.  Como poderia saber quem ele era, só sabia que era alto, elegante e um bigodinho que formava o rosto de um homem inteligente.  Eram muitas as portas do trem e as pessoas se esbarravam uma das outras apresados, queriam descansar e rever seus entes queridos, abraços e beijos demostrava a saudades de amigos, parentes e namorados.
- Olha Betinha aquele senhor parado junto à pilastra, parece procurando alguém, pode ser ele.-  observou Nice agitada.
-  Só saberemos se formos lá perguntar.-  disse Seu João.
- Bom dia! O senhor procura alguém?  Perguntou Seu João.
- Sim, sou Oscar Pereira e você deve ser Elizabeth. – falou o senhor muito elegante, estendendo a mão para Betinha.
- Sou eu sim, muito prazer em conhece-lo. - disse Elizabeth emocionada, apertou a mão do futuro sogro.                        CONTINUA...

sábado, 12 de maio de 2012

FILHO DE PEIXINHO, PEIXINHO É


Apesar do sol ainda brilhar lá fora, a casa estava escura, porque  as janela estavam fechadas, e as cortinas impediam a claridade de entrar, tornando o ambiente muito pesado.
Ao entrar no quarto, pai e filha se olharam por alguns instantes, procurando as palavras corretas para iniciar aquele dialogo muito difícil, sem perder o respeito um pelo outro. Elizabeth tomou a iniciativa com tristeza:
- Estou decepcionada com o senhor, não esperava que posse capaz de certas atitudes. -
- De que atitudes você se refere?  Perguntou Sr. Albino fingindo inocência.
- Ah! O senhor não sabe? Pois então vou te explicar: como pode contratar dois capangas para ameaçar um rapaz que nem conhece? -  disse a moça procurando se controlar.
- Agora eu entendi você se refere ao fato de mandar investigar o rapaz que minha filha diz está apaixonada, e o que há de errado nisso? -  disse o pai.
- Com que direito o senhor toma essa decisão de oferecer dinheiro a Egídio, isso é um suborno. - falou a moça.
- Com o direito de pai, que defende a filha, de pessoas aproveitadoras, que só abusar da sua ingenuidade. - a expressão da moça mudou ao escutar aquelas palavras.
- O senhor me trata como uma doente mental, e fique sabendo que Egídio não é nenhum aproveitador, é um rapaz trabalhador e gosta de mim. –
- Me explique então porque o rapaz trabalhador, que diz gostar de você, aceitou o dinheiro que eu ofereci e voltou correndo pra casa do papai. – falou o pai ficando de pé diante da filha.
Fique sabendo que os seus capangas lhe enganaram. – disse Elizabeth com ar triunfante.
- Não entendi, que me explicar melhor? – perguntou o pai.
- Simplesmente Egídio não aceitou a chantagem, e o seus fieis escudeiros ficaram com o dinheiro. -   a moça estava feliz ao falar.
- E como você sabe disso? Deve ser mais uma cilada armada para te enganar, mas eu não vou permitir que um qualquer, venha estragar meus planos. - disse o pai.
-Seus planos é que eu case com o Dr.Eduardo, não é?   eu não sou nenhuma criancinha, e  o senhor esqueceu que vou fazer vinte anos? eu sei me defender, eu amo Egídio e vou lutar por esse amor.
- - Você está me desafiando? Então você sabe onde ele está? – Sr. Albino estava furioso.
- Não estou desafiando o senhor de maneira nenhuma, eu só quero ser feliz. – Elizabeth falou tentado sensibilizar o pai.
-Eu não vou aceitar de jeito nenhum esse namoro, nem que eu tenha que mandar você para bem longe daqui. – falando muito alto Sr. Albino.
- Realmente eu tentei conversar com o senhor, mas já vi que não tem acordo. – disse a moça saindo do quarto.
- Betinha, ainda não terminei, volte aqui. -  falou o pai.
- Por hoje chega, vou descansar, amanhã tenho muita coisa pra resolver. -  falou Elizabeth saindo do quarto, quando surpreendeu Marina escutando atrás da porta:
- É feio ouvir atrás da porta. -  disse Elizabete para empregada.
- Eu só estou preocupada, você anda tão nervosa, nem come direito.- falou Mariana, se defendendo.
Elizabeth saiu sem dizer nada, afinal a algum tempo vem desconfiando na governanta, ela apoiava o Sr. Albino em tudo, inclusive no casamento entre ela e o medico.
Depois de tomar um banho, foi para o seu quarto tentar relaxar um pouco, estava muito cansada, tanto fisicamente como mentalmente, não via a hora se encontra com Egídio, queria falar tudo que estava dentro do seu coração, e ficou imaginando como seria o encontro com Sr.Oscar , o pai do seu amado. Com certeza era um homem integro e muito honesto, tirou essa conclusão por causa do caráter de Egídio, afinal: filho de peixinho, peixinho é! E adormeceu.