Depois de uma noite agitada, com muitos pesadelos sem sentido, onde Elizabeth se encontrava perdida, em um lugar estranho, com ruas escuras e sem fim e escutava a voz de Egídio pedindo socorro e chamava por ela, e quanto mais tentava o alcançar não chegava a lugar nenhum, acordou assustada com as batidas na porta do seu quarto:
- Pode entrar. - respondeu com a voz cansada.
- Betinha, D. Nice mandou avisar que está te esperando lá fora. - falou Mariana toda desconfiada.
- A mande entrar, em quanto eu me arrumo. - respondeu Elizabete abrindo as cortinas e deixando os primeiros raios de sol invadir o quarto e arrancar o frio e peso causado pelos pesadelos de uma longa noite.
- Eu mandei, mas ela disse que prefere esperar no carro com o noivo.E você, não vai trabalhar? – perguntou Mariana curiosa.
- Por que você que saber? É para ir correndo contar a papai?- disse a moça dando uma indireta na empregada.
- Eu não estou entendendo sua desconfiança comigo, eu sempre cuidei de você, é natural me preocupar. - falou Mariana mostrando-se ofendida.
- Quer mesmo saber? Explique-me como meu pai ficou sabendo tudo sobre a vida de Egídio. –
- Você deveria perguntar pra ele e o Dr. Eduardo Talvez você encontre a resposta –
Respondeu Mariana saindo do quarto rapidamente, parecia aborrecida, deixando Elizabeth mais confusa do que antes e pensou: Com certeza havia muita coisa por de trás desse historia, mas não era o momento exato, o que importava agora era encontrar Egídio, poder abraça-lo e dizer que estava disposta a tudo para ficar com ele.
- Que demora Betinha! O trem vai chegar às nove horas - disse Nice abrindo a porta do carro.
- Não está curiosa para conhecer seu futuro sogro?- Perguntou Seu João.
- Claro! Não dormir a noite toda, tevi cada sonho estranho, meu coração está disparado. –
- E Seu Albino falou alguma coisa? – perguntou Nice.
- Eu não sei até que ponto meu pai está envolvido nessa armação, eu sou sei de coisa uma, já tomei minha decisão.- falou Betinha pensativa.
- Seja qual for a sua decisão, pode contar com sua amiga. - falou Nice.
- Nice, parece que Eduardo está envolvido com papai no caso da chantagem de Egídio. - falou a jovem demonstrando tristeza.
- Eu não acredito, conheço Eduardo e sei que ele não seria capaz de uma coisa dessas. Nice falou com surpresa.
- Eu não posso afirmar nada por enquanto, mas garanto que vou desvendar tudo, Tim-Tim por Tim-Tim. - falou Elizabeth.
- De onde você tirou essa ideia da participação de Eduardo?- falou Nice sem acreditar.
- Mariana fez uma insinuação, mas eu não tenho certeza de nada. –
- Eduardo gosta muito de você, sempre sonhou em um dia casar com você, sinto pena dele. - Nice tinha uma gratidão muito grande pelo medico, ele a ajudou quando seu filho esteve doente, e muitas vezes ficava dividida entre Eduardo e Egídio, mas o que realmente importava era a felicidade da amiga.
- Não tenho culpa de gostar dele como um bom amigo,só ia casar com ele para agradar papai, mas quando conheci Egídio mudei de ideia.- disse Elizabeth.
- Você sabe que antes de conhecer Egídio, eu torcia pra você casar com Eduardo, mas o mundo dá tantas voltas que eu nem sei explicar. - falou Nice.
- Ninguém manda no coração, digo isso por mim. - disse Seu João.
- Isso é uma declaração de amor querido? – perguntou Nice toda dengosa.
- Sim, não tinha mais esperança de amar ninguém, você apareceu e me acendeu a vontade de viver, e a esperança de encontra meu filho. - falou Seu João com uma ponta de tristeza.
- Nós vamos encontrar o seu Rafael, prometo!- falou Nice determinada.
O carro se aproximava da estação e de longe o barulho de apito do trem anunciava a chegada do Seu Oscar. Os três apresaram os passos para identificar entre os passageiros o pai de Egídio. Os olhos de Elizabeth dançavam de um lado para o outro procurando o responsável pela vida do seu amor. Como poderia saber quem ele era, só sabia que era alto, elegante e um bigodinho que formava o rosto de um homem inteligente. Eram muitas as portas do trem e as pessoas se esbarravam uma das outras apresados, queriam descansar e rever seus entes queridos, abraços e beijos demostrava a saudades de amigos, parentes e namorados.
- Olha Betinha aquele senhor parado junto à pilastra, parece procurando alguém, pode ser ele.- observou Nice agitada.
- Só saberemos se formos lá perguntar.- disse Seu João.
- Bom dia! O senhor procura alguém? Perguntou Seu João.
- Sim, sou Oscar Pereira e você deve ser Elizabeth. – falou o senhor muito elegante, estendendo a mão para Betinha.
- Sou eu sim, muito prazer em conhece-lo. - disse Elizabeth emocionada, apertou a mão do futuro sogro. CONTINUA...




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