sábado, 30 de junho de 2012

"AS CORRENTES DO PASSADO"


A vida nós prega peças que muitas vezes não entendemos, e quando tudo parecia sobre controle, de repente ela dá uma vira volta mudando tudo que já estava detalhadamente programada,
e foi o que aconteceu com Elizabeth: a formatura para medicina, o casamento com Dr.Eduardo, uma linda casa presenteada por seu pai, que há seis meses estava sendo decorada com muito carinho, por uma profissional contratada por Sr.Albino. E como um castelo de areia construído sem alicerce que quando a onda no mar bate ele é totalmente destruído.
Ela já estava conformada com seu destino, pois dessa época era costume os pais decidir o que eles achavam melhor para os filhos, e Elizabeth como uma boa filha obediente seguia sua vidinha, procurando da continuidade a tradição da família, como aconteceu com sua mãe, que aos quinze anos casou-se com Seu Albino sem ao menos ter a chance de escolha.
Elizabeth era uma moça romântica e muitas vezes sonhava com um príncipe encantado que a despertava de um sono profundo e os dois corriam de mãos dadas por um lindo lugar onde só havia flores, era como se a vida tivesse mais sabor e uma força invadia o seu ser e os dois estavam dispostos a lutar contra tudo e a todos por aquele amor. E acordada chorando!
Naquela manhã uma sensação estranha invadia sua alma, como se as correntes que a prendiam, sugando toda sua força estivesse quebrada e agora estava livre para decidir.
Agora, diante daquele senhor, pai do homem que mudara o curso da sua vida, seu coração batia descompassadamente. E ao apertar a mão de Sr.Oscar sabia que estava selando um novo compromisso e ao mesmo tempo declarando guerra com o seu pai, ele nunca ia admitir ser contrariado e ver sua única filha casar com outa pessoa que não fosse o Doutor Eduardo. Seus pensamentos foram interrompidos pela voz enérgica daquele homem corajoso.  
- Meu filho teve bom gosto, você é muito bonita, prazer filha! – falou Sr.Oscar.
- O prazer é todo meu, Sr. Oscar. – disse emocionada, estava diante de um verdadeiro gentleman.  Sr.João e Nice observava tudo com um sorriso dos lábios.
- Esses são: Sr. João e Nice amigos de Egídio. - apresentei- os.
- Meu filho teve muita sorte em conhecer pessoas especiais como vocês. - falou  Sr.Oscar abraçando-o com firmeza. 
- E agora! Que vamos fazer? -  Perguntou  Elizabeth visivelmente ansiosa.
- Não quero perder tempo, vamos buscar meu filho. – disse o pai de Egídio.
- O senhor não quer tomar um café antes de ir. - perguntou Nice.
- De maneira nenhuma, depois a gente comemora. - disse o pai agoniado.
Quando os quatro amigos se dirigia para o estacionado em frente à estação do trem, um carro parou atrás do carro do Sr. João, e um casal desceu correndo.
- Olá amigos!  Queremos fazer parte desse momento histórico. - era Fláviano juntamente com sua noiva Marly.  Sr. Oscar se voltou surpreso para o casal muito animado que apareceu de repente.
- Meu Deus que bom que vocês vieram, Sr.Oscar esse é o grande responsável por seu filho ter nós conhecido. - disse Elizabeth muito contente com a chegada do casal.
Dessa vez o velho pai não resistiu às lagrimas que rolaram no rosto marcado pelas rugas de muitas dores e sofrimento deixando pelo tempo.

 -   Por tudo que você fez com meu filho, não tem dinheiro no mundo que pague.-  disse Sr.Oscar abraçando Fláviano com muito carinho.
- Egídio foi o irmão que não tive, e tudo que fiz por ele, Deus me abençoou tanto que faria tudo de novo.  – falou Fláviano retribuindo o abraço.
Depois de todas as apresentações, Sr.Oscar tirou do bolso a carta com o endereço de onde estava o filho, e mostrou para Fláviano.
- Não acredito! Esse endereço é da pensão que Egídio ficou quando chegou a Salvador. -  disse o amigo mais aliviado.
-E onde fica essa pensão, é muito longe daqui? – perguntou  o pai de Egídio.
- Não muito, só fica um pouco escondido, mais vamos  lá agora. -  disse Fláviano abrindo a porta do carro.
Os automóveis percorria a estrada de asfalto molhado pela chuva que cairá durante a noite, o silencio mostrava a tensão nervosa dos amigos de Egídio, um grito rompeu o silencio:
- Pare ! - É ali que Egídio ficou hospedado no dia que chegou de Mata de São João.- Falou Flaviano demostrando está nervoso.
O carro estacionou em frente a um sobrado que parecia vazio, O silencio era assustador!
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                                                               CONTINUA...

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