Aquela noite estava mais escura do que de costume, a natureza parecia revoltada com alguma coisa, pois a chuva caia sem piedade, e a claridade de um raio anunciava o ronco do trovão.
Os motoristas dirigiam com cautela, pois a escuridão, o para-brisa embaçado e as poças de água que se formavam no asfalto, prejudicavam a visão dos carros e isso poderia causar algum acidente pois as pessoas só queriam chegar a suas casas em paz e relaxar do dia cansativo. De repente um carro passa em alta velocidade salpicando de água da chuva a janela do carro do Seu João que estacionado em frente a casa de Elizabeth, ele esperava ansioso por noticias sobre Egidio.
A agonia acabou quando a voz de Nice o assustou:
- Abra a porta, estou toda molhada. - Assim que sentou Nice
colocou as mãos no rosto e começou a chorar baixinho, com essa atitude o
homem desesperado perguntava:
- Meu Deus, o que houve? - Nice enxugando as lágrimas
respirou fundo e respondeu:
- Sabe o que sr,Albino respondeu quando Elizabeth perguntou se ele
tinha alguma coisa haver com o desaparecimento de Egídio?
- O que foi que o pai de Elizabeth disse? - Seu João estava tremulo de
raiva.
- Que realmente mandou dois homens oferecerem um bom dinheiro a
Egidio para se afastar da sua filha e voltar para o interior, e disse que ele
aceitou. -
- E você acredita nessa historia?- Perguntou o homem apavorado.
- Não sei o que pensar, Betinha está muito mal, disse ao pai que se
Egidio não aparecer vai embora de casa. - Nice estava preocupada com a amiga.
- Vou levar você pra casa, e amanhã cedinho vou ligar para o pai
de Egidio, só assim vamos saber se Seu Albino está falando a verdade. Falou
Seu João ligando o carro e saindo rapidamente.
Elizabeth não conseguia dormir, deitada na cama ficava
imaginando, por onde estaria o seu amado, teria realmente voltado para casa do pai, será que estava com frio, ou fome, se
estava vivo ou morto? Este pensamento a fez estremecer e o seu coração
disparou:
- Não, Deus não permitiria que uma coisa dessas acontecesse, seria
o fim dos meus sonhos. - Dizendo essa frase, um soluço saiu da sua garganta
junto com as lagrimas.
Seu João sabia que se fosse para casa não ia dormir, preferiu ver
se Fláviano tinha alguma noticia e esse pensamento o animou. Assim que
estacionou o carro, notou uma figura masculina sentada no banco do jardim,
seria Egidio? Saiu correndo do carro, na esperança de abraçar o amigo:
- Seu João, tem alguma noticia de Egidio? Perguntou Fláviano
indo ao encontro do homem.
- Infelizmente não, você tem o telefone do vizinho do Seu Oscar,
talvez ele esteja lá com o pai- Disse Seu João fingindo tranquilidade.
- Não acredito Egidio nunca viajaria sem nós avisar, seria muita
irresponsabilidade dele. - Fláviano conhecia o amigo.
- Vamos entrar preciso falar com você. - Disse Seu João abraçando
Fláviano.
Depois de contar tudo sobre a conversa de Nice e Elizabeth com Seu
Albino Seu João acrescentou:
- Vamos ligar para o pai de Egidio e saber se realmente ele está lá, se ele não estiver, temos que tomar outra providencia. -
- Vamos ligar para o pai de Egidio e saber se realmente ele está lá, se ele não estiver, temos que tomar outra providencia. -
- Se o velho fez alguma coisa com meu amigo, vai se arrepender de
ter nascido. - Disse Fláviano esmurrando a mesa.
- Incomoda se eu dormir aqui essa noite? Preciso ligar da
oficina amanhã cedo, e aqui fica mais perto. - Pediu Seu João preocupado com o
horário, pois já era onze e meia.
- Vou com o senhor, quero falar pessoalmente com Seu Oscar, se
precisar vou a Mata de São João, Tudo que quero é encontrar meu amigo. - Se
ofereceu Fláviano com a voz emocionada, e os dois foram tentar dormir.
Com muita dificuldade o sol foi aparecendo no horizonte, trazendo
novas esperanças, a chuva deu uma trégua deixando o azul no céu com uma
sensação de paz e que tudo iria dar certo.
Seis horas da manhã Seu João e Fláviano já estavam na oficina e
tentavam ligar para Seu Oscar, devido as chuvas da noite anterior a ligação
estava péssima, depois de muitas tentativas se ouviu uma voz do outro lado da
linha:
- Alô que fala? - Era o pai de Egidio muito preocupado.
- Aqui é João da oficina, quero saber se Egidio já chegou ai?...


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