A noite ia chegando e a espera era angustiante, Seu João não
tirava os olhos da rua na esperança de ver Egidio voltando para oficina.
Não queria assustar os outros com uma suspeita sem fundamento, não tinha certeza do que havia acontecido com o jovem, por isso esperava por alguma noticia de Egídio, torcia pra que nada tivesse acontecido com rapaz.
Não queria assustar os outros com uma suspeita sem fundamento, não tinha certeza do que havia acontecido com o jovem, por isso esperava por alguma noticia de Egídio, torcia pra que nada tivesse acontecido com rapaz.
- Não sei por que Egídio ainda não apareceu, Marly! Ele sabia que ia voltar hoje? - Perguntou Fluviano.-
- Claro, ele ficou de jantar com a gente, não se preocupe, daqui a
pouco ele chega. - falou Marly.
O carro de Seu João percorria a cidade e o homem procurava uma
pista, olhava para todos os lados na expectativa, de encontrar o jovem
amigo, os pingos de chuva começou a molhar o pára-brisa atrapalhando a visão do homem, que nervoso pensou: - Essa chuva só faz atrapalhar.- com raiva esfregava a flanela no vidro do carro tentando melhorar a visão.
Quando estacionou o
veiculo em frente a residência de Marly,observou que as luzes estavam todas
acesas, isso lhe trouxe mais esperança, respirou fundo e tocou a sirene:
- Seu João, que surpresa!
- Falou Marly realmente surpresa.
- Me perdoe a interrupção,
mas estou a procura de Egídio.- disse
Seu João tentando olhar por cima do ombro de Marly e ver finalmente a figura do
amigo.
- Entra, mas Egídio não
está aqui, estamos esperando por ele. – Flaviano ouviu a conversa e se
aproximou:
- O Senhor não sabe onde
está Egídio? Ele não foi trabalhar? –
- Sim, mas aconteceu algo estranho. Preciso conversar com
vocês, estou muito preocupado. – falou Seu João, se sentando e apesar da chuva,
suava muito.
- O que houve com meu
amigo? Fale por favor. – Perguntou Flaviano muito assustado.
- Eu não sei, quando
cheguei do almoço Seu Ramos me disse que dois homens estranhos o levaram
dizendo que precisava de seus serviços e até agora não voltou. -
- E meu pai está onde –
Perguntou Marly sem entender direito.
- Seu Ramos ficou no
escritório fazendo pedidos de algumas peças de carros que não encontramos aqui.
-
- E o senhor não tem
nenhuma suspeita do que aconteceu com Egídio -
Perguntou Flaviano demonstrando ansiedade.
- Deus queira que eu
esteja enganado, mas ultimamente o pai de Elizabeth tem mandado recado
ameaçando Egídio caso ele não deixe a filha em paz, mas isso não quer dizer
nada- Disse Seu João sem querer assustar
os amigos.
- Eu não entendo uma coisa
dessas, Egídio é apenas um jovem que está começando a vida, e quer ser feliz, e
ama Elizabeth, e não é ameaça pra
ninguém. - Marly falou quase chorando.
- Não vamos pensar no
pior, talvez ele esteja dando uma volta por ai para esfriar a cabeça, vamos
esperar. - Falou Flaviano abraçando a noiva com otimismo.
Oito horas da noite Nice
ainda trabalhava em seu atelier para entregar o vestido de noiva. Duas mulheres
folheavam uma revista em quanto esperava o ultimo retoque, Rafa filho de Nice fazia
o dever da escola sentado no chão com o material escolar espalhado junto a ele.
Alguém bateu na porta de vidro que estava muito embaçada, pois a chuva estava
ainda mais forte.
Nice pode observar que se
tratava de homem, levantou-se para ver quem era o visitante, uma voz a
tranquilizou:
- Sou eu Nice - Respondeu
Seu João.
- Meu Deus você esta todo
molhado, entre logo- disse Nice.
- Ia passando e vi a luz
acessa e resolvi te ver- Mentiu o homem.
- Estou terminando, vai
esperar? - Respondeu Nice feliz.
- Claro, vou conversar um
pouco com Rafa. -
Uma hora depois Seu João
dirigia com muito cuidado, o asfalto estava molhado e a luz dos outros carros
prejudicava a visão do motorista, seus pensamentos estavam no jovem amigo. –
- Você está muito calado,
aconteceu alguma coisa? – Perguntou Nice estranhando o silencio de Seu João.
- Não é nada, só estou
preocupado com Egídio.
- Por quê? - Perguntou
Nice já preocupada.
Seu João contou
rapidamente tudo a Nice procurando não exagerar, não queria preocupá-la.
- O que? E você acha que
não é nada de mais, S. Albino é capaz de tudo. - Falou Nice quase gritando.
- Calma! Vamos esperar até
amanhã... – disse o homem fingido calma.
- Esperar até amanhã? Não acredito no que estou
ouvido, vamos resolver agora. – Nice estava revoltada.
- Resolver como? –
perguntou Seu João sem entender.
- Vamos para casa de Seu
Albino. - falou a mulher.
- Mas já vai dá dez horas
- disse o homem
- Não importa, vamos tirar
tudo a limpo agora, não vou conseguir dormir- Nice estava decidida
Quinze minutos depois já
estavam em frente à casa de Elizabeth tocando um sininho da entrada do portão,
não demorou muito e Elizabeth apareceu, vendo a amiga perguntou assustada:
- Nice, o que
aconteceu? - quando o portão foi aberto Nice entrou e Seu
João ficou do carro com o menino.
Procurando resumir ela
contou tudo a amiga, que a cada palavra que escutava ficava assombrada.
- Me diga, por favor? O que
vamos fazer? Perguntou Elizabeth muito pálida.
- Perguntar ao seu pai se
ele tem alguma coisa a ver com essa historia. - Falou Nice com calma,não queria magoa a
amiga.
- Isso é horrível, não
posso acreditar. –
- Vamos tirar a prova
agora? – perguntou Nice segurando a mão da amiga.



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