terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

A CHANTAGEM


A noite ia chegando e a espera era angustiante, Seu João não tirava os olhos da rua na esperança de ver Egidio voltando para oficina.
Não queria assustar os outros com uma suspeita sem fundamento, não tinha certeza do que havia acontecido com o jovem, por isso esperava por alguma noticia de Egídio, torcia pra que nada tivesse acontecido com rapaz.
Flaviano e Marly matavam a saudades, sentados juntinhos no sofá da sala, mas  Flaviano estranhava a ausência do amigo:
- Não sei por que Egídio ainda não apareceu, Marly! Ele sabia que ia voltar hoje? - Perguntou Fluviano.-
- Claro, ele ficou de jantar com a gente, não se preocupe, daqui a pouco ele chega. - falou Marly.
Já era sete horas da noite e nenhuma noticias de Egídio, Seu João não podia fica com a oficina aberta, tinha que fazer alguma coisa, na sua cabeça só uma pergunta: Onde estaria seu amigo? Na esperança de encontra o amigo, pensou: Ah! Deve está com Flaviano, uma esperança acendeu no seu peito, baixou as portas da oficina e correu para casa de Marly, na certeza de encontrá-lo.
O carro de Seu João percorria a cidade e o homem procurava uma pista, olhava para todos os lados na expectativa, de encontrar o jovem amigo, os pingos de chuva começou a molhar o pára-brisa atrapalhando a visão do homem, que nervoso pensou: -  Essa chuva só faz atrapalhar.- com raiva esfregava a flanela no vidro do carro tentando melhorar a visão.
Quando estacionou o veiculo em frente a residência de Marly,observou que as luzes estavam todas acesas, isso lhe trouxe mais esperança, respirou fundo e tocou a sirene:
- Seu João, que surpresa! - Falou Marly realmente surpresa.
- Me perdoe a interrupção, mas  estou a procura de Egídio.- disse Seu João tentando olhar por cima do ombro de Marly e ver finalmente a figura do amigo.
- Entra, mas Egídio não está aqui, estamos esperando por ele. – Flaviano ouviu a conversa e se aproximou:
- O Senhor não sabe onde está Egídio? Ele não foi trabalhar? –
- Sim, mas aconteceu algo estranho. Preciso conversar com vocês, estou muito preocupado. – falou Seu João, se sentando e apesar da chuva, suava muito.
- O que houve com meu amigo? Fale por favor. – Perguntou Flaviano muito assustado. 
- Eu não sei, quando cheguei do almoço Seu Ramos me disse que dois homens estranhos o levaram dizendo que precisava de seus serviços e até agora não voltou. - 
- E meu pai está onde – Perguntou Marly sem entender direito.
- Seu Ramos ficou no escritório fazendo pedidos de algumas peças de carros que não encontramos aqui. - 
- E o senhor não tem nenhuma suspeita do que aconteceu com Egídio -  Perguntou Flaviano demonstrando ansiedade.
- Deus queira que eu esteja enganado, mas ultimamente o pai de Elizabeth tem mandado recado ameaçando Egídio caso ele não deixe a filha em paz, mas isso não quer dizer nada-  Disse Seu João sem querer assustar os amigos.
- Eu não entendo uma coisa dessas, Egídio é apenas um jovem que está começando a vida, e quer ser feliz, e ama Elizabeth, e não  é ameaça pra ninguém. - Marly falou quase chorando.
- Não vamos pensar no pior, talvez ele esteja dando uma volta por ai para esfriar a cabeça, vamos esperar. - Falou Flaviano abraçando a noiva com otimismo.
Oito horas da noite Nice ainda trabalhava em seu atelier para entregar o vestido de noiva. Duas mulheres folheavam uma revista em quanto esperava o ultimo retoque, Rafa filho de Nice fazia o dever da escola sentado no chão com o material escolar espalhado junto a ele. Alguém bateu na porta de vidro que estava muito embaçada, pois a chuva estava ainda mais forte.
Nice pode observar que se tratava de homem, levantou-se para ver quem era o visitante, uma voz a tranquilizou:
- Sou eu Nice - Respondeu Seu João.
- Meu Deus você esta todo molhado, entre logo- disse Nice.
- Ia passando e vi a luz acessa e resolvi te ver- Mentiu o homem.
- Estou terminando, vai esperar? - Respondeu Nice feliz.
- Claro, vou conversar um pouco com Rafa. - 
Uma hora depois Seu João dirigia com muito cuidado, o asfalto estava molhado e a luz dos outros carros prejudicava a visão do motorista, seus pensamentos estavam no jovem amigo. –
- Você está muito calado, aconteceu alguma coisa? – Perguntou Nice estranhando o silencio de Seu João.
- Não é nada, só estou preocupado com Egídio.  
- Por quê? - Perguntou Nice já preocupada.
Seu João contou rapidamente tudo a Nice procurando não exagerar, não queria preocupá-la.
- O que? E você acha que não é nada de mais, S. Albino é capaz de tudo. - Falou Nice quase gritando.
- Calma! Vamos esperar até amanhã... – disse o homem fingido calma.
-  Esperar até amanhã? Não acredito no que estou ouvido, vamos resolver agora. – Nice estava revoltada.
- Resolver como? – perguntou Seu João sem entender.
- Vamos para casa de Seu Albino. - falou a mulher.
- Mas já vai dá dez horas - disse o homem
- Não importa, vamos tirar tudo a limpo agora, não vou conseguir dormir- Nice estava decidida
Quinze minutos depois já estavam em frente à casa de Elizabeth tocando um sininho da entrada do portão, não demorou muito e Elizabeth apareceu, vendo a amiga perguntou assustada:
- Nice, o que aconteceu?  -  quando o portão foi aberto Nice entrou e Seu João ficou do carro com o menino.
Procurando resumir ela contou tudo a amiga, que a cada palavra que escutava ficava assombrada.
- Me diga, por favor? O que vamos fazer? Perguntou Elizabeth muito pálida.
- Perguntar ao seu pai se ele tem alguma coisa a ver com essa historia. -   Falou Nice com calma,não queria magoa a amiga.
- Isso é horrível, não posso acreditar. –
- Vamos tirar a prova agora? – perguntou Nice segurando a mão da amiga.
- Sim. -   As duas amigas entraram disposta a tudo.




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