quarta-feira, 19 de setembro de 2012

"QUEM BRINCA COM FOGO PODE SE QUEIMAR"


Quem podia imaginar que justamente naquele momento magico seria interrompido pela pessoa que mais torcia contra aquele amor.
Quando Nice abriu porta, e viu que era Sr Albino, tentou disfarçar, não queria que o pai de Betinha encontrasse com Egídio em sua casa:
-  Seu Albino! Que pena, estou de saída, não vou poder atendê-lo agora. -  falou imaginando que ele iria embora, mas pelo contrario, ele insistiu:
-  Não precisa mentir, nem se preocupar senhorita, eu só quero conversar com minha filha. - disse Sr. Albino visivelmente emocionado.  
- Pode deixar Nice, é melhor assim. Entre, vamos conversar papai. -   Elizabeth estava com a voz tremula, e Egídio segurava sua mão mostrando que estava ao seu lado para o que der e vier.  Mas quando Sr. Albino notou a presença de Egídio mudou seu tom de voz:
- Não esperava encontra esse moço aqui há essa hora, pelo visto as coisas estão muito adiantadas. -  falou o espanhol com o rosto vermelho e com o tom de voz malicioso.
- Olha Sr. Albino não é o que o senhor está imaginando, ele chegou aqui há poucos minutos antes do senhor. -  disse Nice se sentindo ofendida.
- Agora isso não interessa, na realidade eu vim aqui conversar  com minha filha, se for possível quero ficar a sois  com ela.-  falou o velho acendendo o charuto.
-  Tudo bem, mas eu também preciso falar com o senhor. – disse Egídio um pouco tímido.
- Não tenho nada para conversar com você rapaz, por favor me deixe só com Betinha. -  Sr. Albino soltou uma baforada e a fumaça se espalhou pela sala impregnando o ambiente.
- Venha Egídio, vamos tomar um cafezinho na cozinha. – disse Nice segurando-o pelo braço.
Uma pausa se fez até o velho se certificar que ninguém estaria escutando sua conversa.
- Filha, me perdoe pelas atitudes que tenho tomando ultimamente, mas o que fiz foi por medo de perdê-la. - disse o pai com a voz angustiada.
- Medo de me perder como assim? Não posso negar que o senhor sempre foi um bom pai,sou muito grata por tudo que o senhor tem feito por mim, mas eu quero ser livre para fazer minhas próprias escolhas, e decidir me casar com Egídio. – falou Betinha com firmeza, querendo colocar um o ponto final na conversa.
- Você não está vendo que esse rapaz não vai de dar a mesma vida confortável para  fazê-la  feliz?. -  falou o pai de Elizabeth  procurando controla-se.
- Por quê?  Porque ele não é rico ou por que Dr. Eduardo é o seu escolhido para casar comigo ?-  perguntou Elizabeth, já sabendo a resposta.
- As duas alternativas estão corretas. Quais as condições que esse rapaz tem para te dar uma vida digna e bancar sua faculdade de medica, ou  construir uma família?. - disse Sr. Albino com ar autoritário.
- Tudo na vida é com lutas, o senhor é exemplo disso, não foi fácil chegar onde está agora, e nós vamos lutar juntos. – disse Elizabeth tentando comover o pai.
- Filha, você tem tudo: uma boa casa, um rapaz do mesmo nível que você, que te ama, e tudo que construir é  seu, não tenho mais ninguém nesse mundo, só me resta você! me diga: o que te falta? -   perguntou o pai.
- Amor e respeito, preciso pelo menos uma vez na vida fazer a minha vontade, correr o risco de acertar ou até mesmo errar. Quero ser feliz papai -  disse a moça desabafando.
-  Imaginei que você fosse feliz, nunca passou pela minha cabeça que você estivesse tão insatisfeita, sempre  te dei o melhor de mim. Não entendo onde errei. – disse o pai tentando emocionar a filha.
- O senhor não errou, quem errou foi eu, deixando sempre as pessoas decidirem  por mim, tinha receio de  magoar os outros, mas magoava a mim mesmo. Agora chega!   Se o senhor me ama vai concordar com a minha decisão,e tudo vai ficar bem entre nós. – falou Elizabeth pensando que a situação iria resolver.
- Nunca! Se você se casar com esse pobretão não vai ver um tostão da minha parte, até as propriedades que estão em seu nome vou tirar. – falou seu Albino descontrolado.
- Sinto muito, não queria que fosse assim, pensei  que o senhor fosse me compreender, sempre fiz a sua vontade , mas agora encontrei  o homem da minha vida, e tenho direito de tentar. – disse Elizabeth com firmeza.
-  Pense bem antes que seja tarde, isso não vai ficar assim, quem brinca com fogo pode se queimar! – o pai falou com tom ameaçador.
-  Faça o que o senhor quiser, não vou mudar de ideia .-  falou a filha com a voz cansada.
O pai de Elizabeth esmagou o charuto no cinzeiro e saiu batendo a porta com raiva.
Egídio e Nice apareceram na sala com os olhos arregalados , e surpresos  com atitude do velho espanhol, então Elizabeth preocupada com a reação de Egídio, perguntou:
- Vocês escutaram a nossa conversa?  -    Nice respondeu arrasada:
- Sim , não imaginava que o seu pai fosse assim. tão radical.  -  
Elizabeth não tirava os olhos de Egídio, tentando observar se realmente ele estava disposto a lutar por ela, será que valeu a pena desafia o seu pai?
CONTINUA...




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