sábado, 16 de julho de 2011

OS OLHOS TAMBÉM FALAM!

Resultado de imagem para olhos que falam DESENHO

DECIMO SÉTIMO CAPITULO
Aquele sábado era especial para Egídio, o calor estava intenso, ele não via a hora de terminar o expediente, o suor escorria pelas frontes que limpava com uma flanela, Sr.João notou a impaciência no rapaz e perguntou:
-Será que posso saber o motivo do nervoso?- a convivência ainda não era das melhores, mas depois da conversa que teve com com Marly sobre o drama de Sr.João as coisas tinham melhorado bastante entre os dois, Egídio não se incomodava mais com o comportamento do Sr.João, e entendendia sua tristeza e passou a trata-lo com carinho.
-Já que o senhor perguntou, porque estou nervoso,posso te pedir um conselho?-O homem se espantou e gaguejado um pouco disse:
-Por que eu? não sou capaz de aconselhar ninguém.-Egídio olhou bem firme e falou:
-Vou te contar uma coisa que o senhor não sabe, o primeiro dia que cheguei na oficina, eu não sabia nada de mecânica, não sabia o que era macaco, chave inglesa nem ferramenta nenhuma, vi que o senhor estava consertando um automóvel e eu fiquei observando como era difícil aquela profissão e a responsabilidade que qualquer falha colocaria as vidas de pessoas em risco e quis desistir.-Sr.joão estava surpreso, até sua aparência havia mudado, até conseguiu sorrir:
-E porque não desistiu?-  perguntou Sr. João bastante interessado, Egídio sabia o quanto aquele homem precisava de compreensão e disse:
-Quando olhei pra o senhor vi a figura do meu pai e pensei, vou aprender tudo com ele, essa é minha chance de ser alguém na vida, e acho que estou me saindo bem, não é verdade?- falou o jovem.
- Não posso negar que você me surpreendeu, claro que ainda tem muita coisa pela frente,está apenas começando.- Falou Sr.João disfarçando o sorriso.
-Já que o senhor se parece com meu pai me dê uma opinião, o senhor conhece Flaviano não é?- perguntou Egídio aproveitando a oportunidade para de aproximar mais de Sr.João.
-Claro, é o noivo da menina Marly, porque?- perguntou curioso.
-Por que ele alugou uma casa e me convidou para morar com ele, já que a tia que morava com ele viajou -Respondeu Egídio feliz com o interesse do Sr.João que permaneceu calado por alguns segundos, pegou um banco de madeira que estava próximo se sentou pensativo e olhando para o jovem que continuava imóvel e preocupado com a mudança na fisionomia do homem e perguntou:
-O senhor está sentindo alguma coisa?-O mecânico voltou a sorri e disse:
- Sim, estou sentindo vergonha de mim,  por meu egoismo não percebi o jovem de caráter que você é, e quase mais uma vez ponho tudo a perder. Mas, vamos ao que interessa, fico contente em saber que você e Flaviano se deram bem, ele é um ótimo rapaz e vocês são jovens e apesar de tudo, eu quero que você seja feliz de verdade.
- Obrigada Sr.João, o senhor não imagina como fico feliz, meu pai está distante,e eu precisava de uma orientação, posso de dá um abraço?- perguntou Egídio.
O homem exitou por alguns segundos,e falou com voz emocionada:
-Claro,  admiro muito a sua força de vontade, queria que meu filho fosse como você.- confessou Sr. João, abracou com afeto o jovem.
-O senhor tem filho?- perguntou Egídio, fingido não saber a sua historia,mas não era a hora certa,o homem mudou o comportamento:
-Por hoje chega, vou terminar o serviço,minha vida é assunto meu.- disse Sr.João voltando ao trabalho.
Mesmo assim Egídio estava feliz, doze e meia, correu para trocar de roupa, havia marcado com Flaviano e Marly almoçarem no Restaurante Grande Ponto, apressando correu para pegar o bonde,e não notou uma moça que também,apressada queria pegar o mesmo bonde, não deu outra,os dois se esbarraram e os livros que a jovem carregava caíram e se espalharam pelo chão, imediatamente se ajoelhou e catou todos os livros;
- Me perdoe senhorita, sou desastrado.- falou Egídio entregando os livros a moça.
-Não foi nada, foi um acidente, eu também fui culpada.- respondeu educadamente, foi ai que Egídio notou a beleza da jovem desconhecida, os olhos se encontraram e por alguns momentos ficaram em silencio, como hipnotizados , o coração batia tão forte, O bonde esperava, o motorista buzinou e a moça correu, Egídio acompanhou, durante todo percurso os dois se olhavam:
- Como eu queria saber seu nome. - pensou, mas a timidez foi mais forte,

queria conversar com a jovem, mas dizer o que? Tinha medo de levar um fora, quando de repente a jovem levantou para descer no próximo ponto, Egídio pensou:-E agora o que é que eu faço?-Antes que pudesse fazer alguma coisa o bonde parou e a jovem desceu e o carro seguiu seu roteiro de sempre e Egídio com um nó na garganta com vontade de gritar:- Espere!Me diga qual é seu nome...
- Será que nunca mais vou ver essa moça?-  pensou com tristeza!
CONTINUA...

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