quarta-feira, 11 de maio de 2011

QUEM PARTE LEVA SAUDADE, QUEM FICA MORRENDO DE DOR.

Terceiro capítulo:
Era uma manhã maio de 1945, os pingos da chuva caia sobre a grama,   tornando o dia melancólico.
Eram cinco horas da manhã só se ouvia o galo que cantava ao lado da janela, Egídio já estava acordado, sentado na cama; ao lado em cima de uma cadeira havia uma maleta de couro marrom ainda estava aberta, o rapaz foi até sala parou em frente a estante escolheu alguns romances.(ele tinha herdado do pai o dom pela leitura, alias todos os filhos inclusive a irmã mais nova passava a maior parte do tempo devorando os romances, era inacreditável o gosto que a família Pereira exercia pelos livros) voltou para o quarto guardou os livros que escolhera na mini- biblioteca do pai fechou a maleta se encaminhou para porta, não queria se despedir do pai nem dos irmãos sabia que seria doloroso não queria chorar nesta hora poderia desistir dos seus planos, isso era a ultima coisa que queria. Antes de fechar o portão olhou aquela árvore que fez parte da sua infância, quantas vezes quando estava triste subia e se escondia entre as folhagens e ficava sonhado com uma vida melhor, e até chorava! ali era seu cantinho secreto. E da agora da despedida observava o quanto aquela arvore era bonita, as folhas ficaram mais verdes as gotas de orvalho pareciam lágrimas de tristeza pela fuga do jovem, que emocionado abaixou-se e pegou uma folha da velha companheira que muitas vezes sentava em baixo da arvore para lê ou simplesmente cochilar, e sua amiga o protegia do sol com a sombra dos seus galhos, colocou a folha no bolso e saiu quase correndo: até breve amiga.
Chegou na estação se encaminhou para bilheteria e perguntou a o homem que estava vendendo os bilhetes:
-- A que horas sai o próximo trem?
- As 6horas, quer o bilhete ?
- Sim. -  respondeu com firmeza.
Ainda faltava algum tempo para chegada do trem, olhou a sua volta procurando um banco onde não pudesse ser visto, não queria encontrar ninguém conhecido, iriam fazer perguntas que nem ele saberia responder nesse momento, só o tempo faria isso, era o que esperava.
Sentou no banco pegou um livro procurando esconder o rosto para não ser reconhecido, abriu distraído quando notou  uma folha de papel dobrada , abriu curioso para saber o que estava escrito, o papel estava manchado de pequenas gotas que parecia lágrimas, não conseguiu terminar de lê seus olhos se encheram de lágrimas que se juntaram as do papel.      

Um comentário:

  1. Prima é com muita emoçao que leio estas postagens retratando a história de nosso avô, as lágrimas vem aos olhos quando recordo tanto sofrimento pelo qual ele passava, e no entanto não demonstrava fraqueza em momento algum...pelo contrário se fazia de forte pra não passar os problemas aos filhos que se tornaram orfãos tão cedo !
    Continua sendo nosso herói.

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